A política para software e serviços de TI, anunciada nesta segunda-feira, 20/8, pelo governo federal, também busca endereçar soluções para uma das principais dificuldades enfrentadas pelo setor de tecnologia da informação no país: a falta de pessoal qualificado. Estimativas variam. Um estudo da Softex, divulgado em julho, calcula o déficit de profissionais em 280 mil até 2020. O Ministério de Ciência e Tecnologia chega a números ainda mais graves, cerca de 900 mil.
Avaliações do MCT indicam, no entanto, que o cenário é muito desigual. Enquanto os grandes centros sofrem escassez, há regiões no país onde sobram formandos. Com base nisso, a nova política, chamada TI Maior, fez uma radiografia inicialmente voltada ao aperfeiçoamento de cursos técnicos. O objetivo é aproximar os conteúdos das demandas do mercado.
“Identificamos junto ao Ministério da Educação 400 instituições no Brasil que oferecem algum curso de TI. Dessas, fizemos um casamento de oferta e demanda que resultou em 70 instituições - ou seja, exatamente aquelas localizadas onde falta pessoal qualificado”, explica o coordenador de software e serviços do MCT, Rafael Moreira.
Para munir tanto essas instituições como os próprios estudantes de informações mais próximas das demandas do mercado, o ministério, em parceria com a Brasscom, desenvolveu um portal na Internet (brasilmaisti.com) no qual haverá ofertas de vagas e perfis requisitados. O portal também servirá às empresas do setor, visto que um dos objetivos é disponibilizar currículos
A ferramenta deve servir de incentivo aos cursos já existentes e melhor situar os brasileiros interessados em carreiras no setor de TI sobre o que significam as diferentes áreas envolvidas. A parceria pretende formar, no primeiro ano, 10 mil novos profissionais - quantidade que deve chegar a 50 mil no período compreendido pelo TI Maior, ou seja, até 2015.
Parte importante desse esforço é a oferta de conteúdos digitais de estudo, que tanto podem atender cursos técnicos - aqueles em geral de dois a três anos - como os de Formação Inicial Continuada. “Já temos disponíveis 1,2 mil horas de conteúdo, mas nossa meta é chegar a pelo menos 4,5 mil horas”, revela Moreira.
Ministro Marco Antonio Raupp negou declaração de deputado tucano de que só 15% dos recursos para investimentos no MCTI, em 2012, foram efetivamente gastos. Segundo Raupp, a lei orçamentária já autorizou a execução, em 2013, de R$ 12,7 bilhões.
Prazo para submissão dos projetos vale tanto para as empresas iniciantes nacionais e estrangeiras – ao todo haverá R$ 16 milhões em recursos públicos, sendo R$ 8 milhões este ano e R$ 8 milhões em 2014. Do total, R$ 2 milhões para startups de fora do país.
Para o Sinditelebrasil, entidade que representa as teles, a exigência de 3% da receita líquida para dar direito de preferencia em licitações e outorgas é "muito elevado".
Tradicionalmente pouco atendidas pelo mercado financeiro tradicional, as empresas nacionais de TI só teriam a ganhar com o suporte do mercado de capitais.