Ao admitir que a adoção dos serviços de cloud computing no país acontece de forma mais lenta do que a esperada, o vice-presidente do Gartner, Cassio Dreyfuss, sustenta que o CIO resiste às mudanças. "O gestor eficiente era o que tirava mais poder das máquinas e cortava custos. Mas isso hoje está acabando", adverte o especialista.
Segundo Dreyfuss, que falou sobre computação na nuvem em evento realizado pelo Gartner, em São Paulo, nas últimas décadas, o gestor de TI tirou muito proveito do fato de hardware e software terem um custo muito elevado. "Gerenciar parque físico era um desafio e quem soubesse tirar eficiência máxima das máquinas era o especialista elogiado", destaca Dreyfuss.
A computação na nuvem muda totalmente esse modelo. Hardware e software tiveram uma queda brusca no preço e o domínio físico das máquinas não é mais relevante. Incorporar TI ao négocio passa a ser o desafio, mas muitos CIOs entendem essa guinada como uma 'traição' aos seus conhecimentos.
De acordo ainda com o Gartner, cloud computing tem o poder de entregar ao usuário a decisão que tipo de aplicação utilizar. Não à toa, segundo a consultoria, 46% das empresas já sabem que precisam ter algum serviço no conceito da nuvem.
E para o CIO que insiste em dizer que a nuvem é um problema - uma vez que há um legado a ser tratado - Dreyfuss manda um recado: "Ninguém vai jogar nada fora por conta da adoção de cloud. Isso não existe. Mas a contratação de TI mudou e há uma transição em curso. Poucas empresas serão 100% nuvem. E o gerencimento dessas aplicações para o bem do negócio será estratégico para o orçamento de TI", finaliza.
Vale observar que o Gartner prevê que a computação em nuvem cresça 19% em 2012, tornando-se uma indústria de US$ 109 bilhões, comparado ao mercado de US$ 91 bilhões de dólares, em 2011. Até 2016, a expectativa é de que esse seja um negócio de US$ 207 bilhões. Isso comparado ao crescimento de 3% esperado para o mercado global de TI.