Com tratamento de urgência à regra que impede várias cobranças sobre ligações interrompidas, a Anatel sugeriu nesta quarta-feira, 15/8, que as operadoras já comecem a preparar seus sistemas de bilhetagem porque a nova medida deverá entrar em vigor em aproximadamente 30 dias, valendo para todos os contratos da telefonia móvel.
“Tivemos o entendimento de que precisávamos dar urgência a esse assunto e já aprovamos a proposta em circuito deliberativo [quando as votações são feitas por e-mail]. É uma forma de mitigar os possíveis prejuízos aos consumidores, mas o que esperamos é uma melhoria substancial nos serviços, ou seja, que as chamadas não caiam”, afirmou o presidente da Anatel, João Rezende.
Embora a agência negue de público que a medida seja uma resposta à denúncia de que a TIM vinha derrubando deliberadamente as ligações de seu plano de tarifação por chamada, o relatório aprovado na manhã desta quarta-feira “leva em conta resultado de fiscalização da Anatel e incidência considerável de queda de chamadas”.
Uma consulta pública sobre a alteração no regulamento do Serviço Móvel Pessoal deverá ser aberta nesta quinta-feira, 16/8, e receberá contribuições por 10 dias. Segundo o relator da proposta no Conselho Diretor, Marcelo Bechara, a tramitação deverá levar, ao todo, cerca de 30 dias, após o que a mudança começa a valer.
“A aplicação será imediata. As empresas já podem começar a se preparar. Ela valerá para todo e qualquer plano, inclusive aqueles em vigor. Se por enquanto não resolvemos o inconveniente de se fazer uma nova chamada, pelo menos evitamos o prejuízo econômico dos consumidores”, afirma o conselheiro relator.
Com a alteração no regulamento do SMP, chamadas sucessivas entre o mesmo número de origem e de destino, se realizadas até 2 minutos após a interrupção, serão consideradas uma ligação única, independentemente do momento da queda – a regra em vigor só considera esse caso nas interrupções ocorridas até 30 segundos após o início da ligação.
O peso dos tributos e dos recolhimentos a FUST, FISTEL e FUNTTEL – que sugaram R$ 59,2 bilhões de telecom no ano passado – foi queixa forte das empresas no Painel Telebrasil. “O mercado não resolve tudo e para isso os fundos foram criados”, disparou Antonio Carlos Valente. “Usamos desonerações”, rebateu o secretário de Telecomunicações, Maximiliano Martinhão.
Presidente da operadora defende a repetição do modelo no caso do leilão da faixa de 700 MHz. Sem acerto entre as partes, a Anatel determinou indenizações que somam R$ 314 milhões pela desocupação da frequência de 2,5 GHz. “
Apenas na Anatel, o número de queixas passou de uma média mensal de 518 mil no ano passado para 600 mil em 2013. Para enfrentar o problema, a superintendente de Relação com os Consumidores, Elisa Peixoto, sustenta uma mudança de tratamento: “A cultura ainda é discutir a estrutura de advogados para dar conta dos Procons”, avalia.
É o que indicam o Banco Central e o Ministério da Comunicações ao tratarem da Medida Provisória 615/2013, publicada nesta segunda-feira, 20/5, que dá poderes à autoridade monetária para regulamentar novos “arranjos de pagamento”. Regras deverão estar prontas até o fim do ano. Mas BC fez um alerta às teles: os sistemas terão de se falar e ser o mais aberto possível.