A Ceitec, empresa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), finalizou, em julho, as primeiras lâminas de silício em sua fábrica em Porto Alegre. A etapa vencida faz parte da transferência de tecnologia de fabricação XC06 para produção do Chip do Boi, primeiro produto “de prateleira” da empresa.
Trata-se de um dispositivo avançado de identificação por radiofrequência (RFID) projetado para identificação animal e que será inserido em um sistema de ponta de rastreamento de gado. É o primeiro chip desenvolvido pela fábrica da Ceitec e o primeiro dispositivo do gênero a ser produzido em volume no País.
O Chip do Boi funciona como identidade eletrônica do animal, armazenando dados sobre nascimento, vacinas e manejo, entre outras informações. Antes dele, o pecuarista tinha duas opções para rastreabilidade: o brinco óptico com números e o brinco com código de barras, mas ambas apresentam dificuldades que afetam sua confiabilidade.
No chip óptico um peão tem que ditar para outro o número que está escrito no brinco, a informação é anotada e passada depois para o computador na sede da fazenda. Já o brinco com código de barras só pode ser lido se ele estiver limpo, sem sujeiras como barro, e se o animal mantiver a cabeça parada.
O brinco com o Chip do Boi pode ser lido com o gado em movimento e as informações vão diretamente para o software no computador da fazenda por bluetooth, wi-fi ou cabo. A previsão de demanda doméstica para o Chip do Boi supera 1,5 milhão de unidades para 2012, com taxa mínima de crescimento esperado de 10% ao ano na próxima década.
Devido à grande complexidade do processo XC06, que está sendo licenciado à Ceitec pela empresa alemã X-FAB, a transferência de tecnologia deverá se estender pelos próximos vinte e quatro meses. O objetivo final é a certificação dos processos para a produção industrial de chips com padrão internacional de qualidade. O primeiro lote de um milhão de unidades do dispositivo, manufaturado na fábrica da X-FAB, na Alemanha, já está à disposição do mercado.
A etapa já concluída é a primeira de várias fases do processo de transferência de tecnologia, que começou em outubro de 2011, a partir da assinatura do contrato entre Ceitec e X-FAB. O presidente da CEITEC, Cylon Gonçalves da Silva, avalia que a conclusão dessa etapa é um divisor de águas na história do projeto da empresa no Rio Grande do Sul e no Brasil.
A fábrica da Ceitec fica em Porto Alegre (RS) e é a primeira fábrica de chips da América Latina. O projeto de R$ 400 milhões foi financiado pelo governo federal. Entre 2008 e 2011, a Ceitec recebeu cerca de R$ 97 milhões da Financiadora, sendo que à época da inauguração, a FINEP aportou mais de R$ 19 milhões em quatro projetos.
Ministro Marco Antonio Raupp negou declaração de deputado tucano de que só 15% dos recursos para investimentos no MCTI, em 2012, foram efetivamente gastos. Segundo Raupp, a lei orçamentária já autorizou a execução, em 2013, de R$ 12,7 bilhões.
Prazo para submissão dos projetos vale tanto para as empresas iniciantes nacionais e estrangeiras – ao todo haverá R$ 16 milhões em recursos públicos, sendo R$ 8 milhões este ano e R$ 8 milhões em 2014. Do total, R$ 2 milhões para startups de fora do país.
Para o Sinditelebrasil, entidade que representa as teles, a exigência de 3% da receita líquida para dar direito de preferencia em licitações e outorgas é "muito elevado".
Tradicionalmente pouco atendidas pelo mercado financeiro tradicional, as empresas nacionais de TI só teriam a ganhar com o suporte do mercado de capitais.