O tema compartilhamento de infraestrutura é polêmico e está à mesa das teles há alguns anos. Houve uma evolução - tanto que já há cooperação entre elas em alguns pontos, mas não de ERBs específicas, consideradas por todas como ativos estratégicos. Agora, de acordo com o ministro Paulo Bernardo, a Anatel vai, sim, regulamentar o compartilhamento das torres, para evitar a superposição de infraestrutura.
“Não tem como obrigar, mas é uma burrice não compartilhar. Isso só justifica uma selvageria de competição”, disse hoje (23) o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. A possibilidade havia sido admitida na semana passada pelo ministério. Ele lembrou que a rede 4G vai necessitar ainda mais da implantação de torres, porque o raio de abrangência é menor. Ele defende que, para a nova tecnologia, haja uma obrigação de compartilhamento desses equipamentos.
Paulo Bernardo disse ainda que ainda em agosto enviará um projeto de lei ao Congresso Nacional para definir os parâmetros para instalação de torres de telefonia no país. Segundo o ministro, a lei federal não pode obrigar os municípios a mudarem suas legislações, mas pretende estabelecer um diálogo.
“A tendência é que, com o diálogo e com uma lei federal, a gente consiga convencer as câmaras municipais de que é um parâmetro razoável. Todo mundo está convencido da necessidade, mas é evidente que temos que dialogar com os municípios”, disse à Agência Brasil.
De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia Fixa e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), existem atualmente mais de 250 leis municipais sobre a instalação de antenas de celulares, o que burocratiza a instalação de novas estações. Hoje, o Brasil tem cerca de 53 mil estações Rádio Base (ERBs) e a estimativa da entidade é que seja preciso 100 mil antenas para atender às necessidades de expansão do serviço nos próximos anos.
Teles admitem que erram na comunicação com os consumidores
Operadoras móveis rejeitam o rótulo de 'vilãs', mas assumem que há um erro de comunicação com os seus clientes, principalmente, nas questões que envolvem a qualidade do serviço. O tema teles x consumidores foi debatido na Telebrasil 2013.
O peso dos tributos e dos recolhimentos a FUST, FISTEL e FUNTTEL – que sugaram R$ 59,2 bilhões de telecom no ano passado – foram questionados pelas teles. “O mercado não resolve tudo e para isso os fundos foram criados”, disparou Antonio Carlos Valente. “Usamos desonerações”, rebateu o secretário de Telecomunicações, Maximiliano Martinhão.
Presidente da operadora defende a repetição do modelo no caso do leilão da faixa de 700 MHz. Sem acerto entre as partes, a Anatel determinou indenizações que somam R$ 314 milhões pela desocupação da frequência de 2,5 GHz. “
Apenas na Anatel, o número de queixas passou de uma média mensal de 518 mil no ano passado para 600 mil em 2013. Para enfrentar o problema, a superintendente de Relação com os Consumidores, Elisa Peixoto, sustenta uma mudança de tratamento: “A cultura ainda é discutir a estrutura de advogados para dar conta dos Procons”, avalia.
É o que indicam o Banco Central e o Ministério da Comunicações ao tratarem da Medida Provisória 615/2013, publicada nesta segunda-feira, 20/5, que dá poderes à autoridade monetária para regulamentar novos “arranjos de pagamento”. Regras deverão estar prontas até o fim do ano. Mas BC fez um alerta às teles: os sistemas terão de se falar e ser o mais aberto possível.
Em artigo exclusivo para o Convergência Digital, o especialista Eduardo Prado observa que neste jogo bilionário dos aplicativos, o Google 'come poeira' da Apple. E o Brasil começa a querer um lugar especial nesta festa dos conteúdos digitais.