A HP anunciou esta semana, no Brasil, a chegada do programa HP Institute, voltado à especialização e certificação de estudantes universitários nas tecnologias mais demandadas hoje pelo mercado. No topo das quatro certificações ATA (Accredited Technical Associated) oferecidas pelo programa, está cloud computing, na verdade o modelo que levou a companhia a desenvolver o programa.
Brian Beneda, gerente global dos programas acadêmicos da HP e criador do programa, explica que o foco vai além de uma simples certificação. “O programa nasceu depois de dois anos de pesquisas, período durante o qual tentamos entender o que era o gap de habilidades que tanto se fala no mercado”, diz.
Exemplificando, Beneda lembra que, nos Estados Unidos, de um lado há uma série de vagas disponíveis na área de TI (como aqui) e, de outro, há diversos profissionais de TI que não conseguem essas vagas (o que não há aqui). Entre uns e outros, a tal falta das habilidades necessárias para as demandas atuais. A pesquisa realizada pela HP identificou os três principais gaps, que com a disseminação da computação em nuvem vem se tornando mais e mais necessários:
- contexto de negócio – os profissionais de TI da antiga geração eram formados em silos de conhecimento e, pior, não tinha ideia do valor do seu trabalho para o negócio. Hoje, ao contrário, eles precisam ter a capacidade de entender como estão ajudando suas empresas a atuarem melhor.
- visão do todo - ainda o problema dos silos. A TI tradicional é organizada em ilhas independentes e este é um modelo que não cabe no mundo da nuvem. Os novos profissionais de TI precisam ter uma visão do todo, dos componentes de rede aos servidores.
- experiência prática – a questão atinge mais as universidades. A pesquisa da HP mostrou que profissionais recém-formados chegam ao mercado com pouca ou nenhuma experiência prática.
Isso do lado dos profissionais. Do lado das empresas usuárias, o estudo realizado pela HP constatou que novos conceitos tecnológicos têm enfrentado sérias dificuldades para serem implementados. “Os CIOs adoram o conceito de nuvem, mas não conseguem tirar valor dele por conta de fatores como a falta de profissionais, o modelo de TI ainda usado nas empresas e os processos e modelo de governança utilizados’, explica Beneda.
Ele lembra, por exemplo, que em uma estrutura em nuvem é possível criar um novo servidor em duas horas. Mas os modelos e processos ainda utilizados nas empresas fazem com que as autorizações necessárias para isso continuem consumindo semanas, ou meses. “Nosso programa tem o objetivo de formar profissionais para esta nova realidade”, explica.
O foco inicial, anunciado há alguns meses, foram os profissionais de TI, que são certificados por meio do programa ExpertOne. “Percebemos que só isso não era suficiente e que precisaríamos ir aos estudantes e treiná-los antes que cheguem ao mercado”, diz Beneda, lembrando que a iniciativa também ajuda as empresas a encontrar talentos e as instituições de ensino a formar melhor seus alunos.
O programa é formado por quatro certificações: equipamentos conectados, redes, servidores/storage e cloud computing. A certificação em cloud só poderá ser obtida pelos estudantes que já tiverem as outras três. Cada um dos módulos terá 120 horas, ou um semestre, e contará com material de apoio, laboratório prático e o exame de certificação.
“É bom lembrar que as certificações são focadas em arquitetura voltada a negócios. Os estudantes não aprenderão a consertar equipamentos, mas a desenhar soluções de acordo com as necessidades específicas de cada empresa”, explica.
No Brasil, Beneda está visitando diversas universidades com o objetivo de fechar parcerias com as interessadas em incluir o programa em suas grades curriculares. Em paralelo, a HP está fazendo a localização e tradução dos cursos para o português. O objetivo é que o HP ATA possa ser oferecido a estudantes brasileiros no início do ano letivo de 2013.