O Ministério das Comunicações divulgou nesta segunda-feira, 2/7, a lista dos 80 municípios que farão parte do projeto piloto de implantação de cidades digitais. O governo federal vai aplicar diretamente R$ 40 milhões na construção de redes metropolitanas de fibras ópticas, a partir de empresas que serão selecionadas em pregão eletrônico.
“As cidades terão um anel de fibras ópticas que vai conectar todos os órgãos públicos das prefeituras e até o fim de julho a SLTI [secretaria de logística e TI do Ministério do Planejamento] lançará os editais relacionados aos aplicativos de gestão. Se não houver nenhum problema, tudo estará pronto até o fim de dezembro”, explica a secretária de inclusão digital do Minicom, Lygia Pupatto.
Os 80 municípios contemplados foram selecionados a partir de 192 propostas de projeto apresentadas ao ministério e levam em conta critérios de porte e desenvolvimento – são cidades de até 50 mil habitantes com baixo IDH. Além disso, todas encontram-se em raio de até 50 km do backbone da Telebras, para viabilizar as conexões.
Apesar da coincidência entre os calendários do projeto e dos pleitos municipais, Pupatto descarta influência nas eleições para prefeito deste ano. “São apenas 80 cidades, um número pequeno considerando-se o tamanho do Brasil, e o projeto só ficará pronto depois das eleições. Não terá impacto”, sustenta a secretária de inclusão digital.
A infraestrutura será custeada com recursos federais – diretamente, sem repasse aos municípios – mas são as prefeituras que ficarão responsáveis pela contratação da capacidade de acesso. Assim, embora a arquitetura facilite a oferta desse serviço pela Telebras, os prefeitos podem preferir contratar banda de operadoras privadas.
Em resumo, o governo federal vai financiar as redes de fibras, que serão doadas aos municípios. As prefeituras, então, poderão assumir diretamente o custeio ou autorizar a prestação do serviço por terceiros. Nesse caso, a capacidade extra – após de atendidos os pontos públicos – poderá ser vendida, o que permitiria a continuidade dos acessos e a manutenção da rede sem custos para as cidades.
O desenho inicial prevê uma garantia mínima de capacidade, equivalente a 4Mbps em cada um, até o máximo de 30, dos pontos públicos de acesso – órgãos públicos e “hotspot”, como uma “praça digital” ou, provavelmente, um telecentro. “A menor rede deverá ter quatro pontos de governo e um ponto público”, explica o diretor de infraestrutura para inclusão digital, Americo Bernardes.
Veja as cidades contempladas:
Centro-Oeste Brasília/Estrutural
Nordeste Guanambi-BA Itaberaba-BA Itabuna-BA Juazeiro-BA Lauro de Freitas-BA Nilo Peçanha-BA Piraí do Norte-BA Uruçuca-BA Vitória da Conquista-BA Araripe-CE Barreira-CE Brejo Santo-CE Jaguaruana-CE Maracanaú-CE Milhã-CE Quixeramobim-CE São Gonçalo do Amarante-CE Varjota-CE Viçosa do Ceará-CE São José de Ribamar-MA Cabaceiras-PB Cachoeira dos Índios-PB Esperança-PB Itaporanga-PB Lagoa Seca-PB Nova Floresta-PB Pocinhos-PB Queimadas-PB São João do Rio do Peixe-PB Bodocó-PE Casinhas-PE Correntes-PE Inhuma-PI Regeneração-PI São José do Divino-PI São João do Sabugi-RN
Norte Coari-AM Manacapuru-AM Manaquiri-AM Serra do Navio-AP Conceição do Araguaia-PA Curuça-PA Goianésia do Pará-PA Itaituba-PA Marituba-PA Paragominas-PA Trairão-PA Tucuruí-PA Uruará-PA
Sudeste Cariacica-ES Nepomuceno-MG Pimenta-MG Rio Acima-MG Engenheiro Paulo de Frontim-RJ Maricá-RJ São José do Vale do Rio Preto-RJ Casa Branca-SP Descalvado-SP Guararapes-SP Lourdes-SP Penápolis-SP Presidente Epitácio-SP Santa Gertrudes-SP Socorro-SP
Sul Assis Chateaubriand-PR Bandeirantes-PR Ibiporã-PR Palmas-PR Quatro Barras-PR Santa Cecília do Pavão São Miguel do Iguaçu-PR Toledo-PR Candelária-RS Jari-RS Não-Me-Toque-RS Nova Bassano-RS Santo Ângelo-RS São Miguel das Missões-RS Joaçaba-SC
Segundo Paulo Bernardo, para o apelidado PNBL 2.0, que terá como objetivo levar fibras ópticas a todos os municípios do país, serão calculados os aportes necessários para o cumprimento de obrigações de futuros leilões. "É consenso que vamos trocar obrigações por infraestrutura”, afirmou.
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e a Universidade de Brasília, que coordena a infraestrura no Distrito Federal, ativam a primeira expansão da rede metropolitana da capital federal – batizada de Rede Gigacandanga – que se estende por 180km mas deve alcançar 380km de fibras ópticas entre diferentes instituições de ensino e pesquisa.
Inscrições foram concluídas na sexta-feira, 5/4 e agora resta o trabalho de fazer a seleção dos projetos. Programa conta com R$ 100 milhões para a implantação das redes municipais de fibras ópticas, o que significa escolher entre 150 e 200 municípios.
Operadoras questionavam os acertos com Eletrobras e Petrobras que permitiram a cessão do uso das redes de fibras ópticas que formam a base da infraestrutura do Plano Nacional de Banda Larga.