A Telebras e o governo do Amazonas firmaram acordo para o uso de fibras ópticas do gasoduto Urucu-Coari-Manaus - cujo uso foi cedido pela Petrobras - para garantir acesso à Internet a sete municípios do interior do estado cobertos por esse trecho de aproximadamente 600 km: Coari, Codajás, Caapiranga, Anamã, Anori, Manacapuru e Novo Airão.
Viabilizado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Amazonas, o acerto prevê que a Empresa de Processamento de Dados do estado, Prodam, fará a implantação do sistema eletrônico para “iluminar” as fibras, além de 300 pontos de conexão viabilizando cidades digitais na região.
O investimento total é estimado em R$ 8,2 milhões e, segundo o presidente da Prodam, Tiago Monteiro de Paiva, a expectativa é que a rede esteja operacional até o fim do ano. “Para outras regiões do país, isso talvez não represente nada. Para nós, é uma revolução”, diz o secretário de C&T, Odenildo Sena.
Com exceção da capital Manaus, até aqui apenas 15 dos 62 municípios do estado contam com acesso, mas todos via satélite. A projeção é que, com as fibras, sejam viabilizadas conexões de até 30 Mbps nos municípios.
Além do interesse nos serviços públicos - especialmente governo eletrônico e telessaúde, crucial em uma região de deslocamentos difíceis - o uso das fibras também viabiliza a oferta de Internet aos habitantes nos moldes do Plano Nacional de Banda Larga.
Segundo o secretário de C&T, mais do que os óbvios ganhos com o acesso à Internet, a existência de conexões poderá facilitar a fixação de professores e pesquisadores no interior do Amazonas. “Há dificuldades, porque ninguém quer ficar em locais que são isolados”, admite.
A iniciativa busca cobrir uma lacuna na oferta de serviços no Amazonas. “O ideal era que as empresas tivessem infraestrutura e o Estado adquirisse o serviço. Mas as operadoras privadas não cumpriram seu papel e temos que usar recursos de outras áreas, como Educação, para fazer a cobertura”, lamenta o presidente da Prodam.
É que paralelamente será instalada uma linha de 35 km de fibras para ligar Manaus ao município vizinho, Iranduba, a ser transformada em cidade digital e onde se desenvolve um novo pólo industrial. Para isso, a Prodam conta com R$ 2,5 milhões em recursos da Sudam e da Secretaria de Educação.
Além do acordo, a Telebras vai compartilhar com a Prodam a experiência na contratação dos fornecedores dos equipamentos necessários para iluminar as fibras. “Nosso papel é justamente ir onde os outros não vão”, afirma o presidente da Telebras, Caio Bonilha.
Segundo Paulo Bernardo, para o apelidado PNBL 2.0, que terá como objetivo levar fibras ópticas a todos os municípios do país, serão calculados os aportes necessários para o cumprimento de obrigações de futuros leilões. "É consenso que vamos trocar obrigações por infraestrutura”, afirmou.
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e a Universidade de Brasília, que coordena a infraestrura no Distrito Federal, ativam a primeira expansão da rede metropolitana da capital federal – batizada de Rede Gigacandanga – que se estende por 180km mas deve alcançar 380km de fibras ópticas entre diferentes instituições de ensino e pesquisa.
Inscrições foram concluídas na sexta-feira, 5/4 e agora resta o trabalho de fazer a seleção dos projetos. Programa conta com R$ 100 milhões para a implantação das redes municipais de fibras ópticas, o que significa escolher entre 150 e 200 municípios.
Operadoras questionavam os acertos com Eletrobras e Petrobras que permitiram a cessão do uso das redes de fibras ópticas que formam a base da infraestrutura do Plano Nacional de Banda Larga.