Segurança e regulatório afastam data centers da nuvem
Convergência Digital - Hotsite Cloud Computing
:: Da redação:: 30/05/2012
Para oferecer maior capacidade de infraestrutura nos próximos 12 a 18 meses, a maioria dos profissionais do mercado de data center pretende estender a vida útil dos sites existentes por meio da melhoria do aproveitamento de TI, como a consolidação de servidores (66%), e da modernização ou upgrade de infraestrutura mecânica (42%).
E mais:Para 30% dos entrevistados, a energia, refrigeração e disponibilidade de espaço representam um problema. Os dados comprovam ainda que os orçamentos dos datas centers crescem, apesar da recessão econômica. Isso porque 32% das empresas afirmaram que vão terão um incremento acima de 10% nos seus investimentos este ano, revela estudo da Uptime Institute, realizado com 1100 datacenters globais.
Também são previstas a contratação de collocation (24%) e a migração de cargas de TI para cloud computing (30%). Em 2012, 49% dos entrevistados já implantaram nuvem privada e 37% estão considerando a solução. A computação na nuvem é uma opção para aliviar os data centers muito cheios.
Segundo o vice-presidente sênior do Uptime Institute, Julian Kudritzki, ainda há muitos obstáculos para a sua disseminação, pois boa parte dos entrevistados manifestou preocupações com relação à segurança (64%), questões regulatórias (27%), custo (24%) e falta de pessoal interno para gerenciamento da nuvem (20%).
Com relação ao consumo de energia, 57% das empresas consideram o assunto muito importante, mas os incentivos e as estratégias de eficiência energética ainda estão muito desalinhadas nas corporações. Prova disso é que a área de facilities é responsável pelo pagamento da conta de energia do data center em 71% dos casos.
Apenas 20% das contas são pagas pelos departamentos de TI e os 9% restantes por outros departamentos, ou os profissionais não sabem responder. A motivação econômica foi apontada por 82% das empresas na busca pela eficiência energética, seguida da liberação de capacidade de data center (importante para 47%).
Os resultados de 2012 do levantamento do Uptime Institute também mostraram uma maior preocupação com relação à disponibilidade de água nos data centers: 34% das empresas reconhecem que levantam dados sobre o uso de água para suas operações.
A elevação de temperatura nos data centers já é sentida nos data centers: em 2011, a maioria operava entre 18ºC e 21ºC. Atualmente, a faixa média subiu para 21ºC a 25ºC. Os novos requisitos de climatização propostos pela Ashrae permitem essa escala de variação de temperaturas sem prejuízo à operação dos equipamentos. Não é preciso resfriar muito, é possível fazer alterações sem novos investimentos.
“A Ashrae está mudando, façam também suas mudanças cuidadosamente, passo a passo, monitorem, mas vão avançando. Não precisam ir até o topo do limite da Ashare, mas tudo isso pode ser feito”, disse Kudritzki. Ainda segundo o executivo, não é preciso um esquema de alto custo, com toda uma modificação de um data center, mas há ações que podem ser tomadas agora. “Não é um exercício difícil de engenharia”, afirmou.
Numa empresa, um levantamento mostrou que havia 9.800 servidores ociosos que poderiam ser retirados sem nenhum prejuízo às operações. Outro bom exemplo diz respeito à contenção de ar quente e ar frio, que é um recurso precioso num data center. “Os profissionais são a chave para isso; não é preciso ter um balde de dinheiro para mudar”, advertiu o vice-presidente.
Mas Kudritzki alerta que apenas uma minoria dos profissionais está fazendo o diagnóstico correto das condições operacionais do data center. “A única informação que importa é a entrada de ar frio no servidor, mas somente 16% estão fazendo esse controle”, afirmou. Não importa monitorar a sala, isso é um desperdício. A grande maioria, 34%, está monitorando o retorno da unidade de resfriamento e 29% o nível da sala. “É preciso rever a temperatura da entrada de ar no servidor, todo o resto é secundário”, disse.
Muitos provedores querem data centers compactos, de rápida instalação. Além do collocation, que alivia as dores de cabeça dos data centers plenos, uma outra opção são as soluções modulares (contêineres ou pré-fabricadas). Em 2011, apenas 4% reconheceu usá-las; em 2012, o número subiu para 9%.
“Um dos provedores modulares nos EUA tem centenas e centenas de MW já instalados, ou seja, não é uma solução emergente, como muitos ainda pensam”, disse. Os fabricantes precisam provar que o modular é algo que já está aí. O Uptime está falando com um importante banco que pretende sair totalmente dos data centers, querem terceirizar, estão cansados de ter contas e partes espalhadas em vários continentes. “Essa tendência não vai tirar o trabalho dos profissionais da área, mas vai mudar a forma como eles pensam”, concluiu.
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