Se por negociação de mercado, o compartilhamento de rede em telecom pouco andou no Brasil, agora, o governo planeja editar um decreto para tornar obrigatório o compartilhamento de infraestrutura de rede, em especial, da última milha. Os circuitos alugados têm sido uma dor de cabeça no mercado nacional e razão de discórdia entre os agentes do setor, uma vez que a rede é usada, sim, como um ativo concorrencial.
Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, nesta quinta-feira, 10/05, diz que será editado um decreto para 'forçar' as operadoras a compartilharem fibras ópticas no país. Segundo Bernardo, "o Brasil não é rico, então não há racionalidade de fazer infraestrutura paralela de rede". O decreto que o governo planeja editar também mexerá num ponto que é reclamado pelas operadoras: O direito de passagem.
A medida do governo, se de fato acontecer, complementaria o Regulamento de Exploração Industrial de Linha Dedicada (EILD), aprovado na semana passada pela Anatele que cuidará do custo no atacado do uso de rede para banda larga. Proposta do órgão regulador é reduzir o preço dos circuitos em até 30%.
Quando vier, o decreto governamental beneficiará, num primeiro plano, as operadoras TIM, Nextel e GVT, com redes de menor capilaridade, em relação às concessionárias Oi, Telefônica e Embratel/Claro. Mas essas empresas, em especial, TIM e GVT também partiram para a construção de redes próprias para reduzir os custos com aluguel de linhas e para melhorar a performance dos seus backbones. Isso significa que, após o decreto,elas terão de compartilhar suas infraestruturas.
É o que indica a primeira divulgação do programa de medição da qualidade das conexões, por enquanto restritas aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Apesar do resultado, presidente da agência, João Rezende, é cauteloso. “Estamos falando de três estados de maior desenvolvimento. Vamos aguardar os outros".
No Brasil para a conferência WWW2013, no Rio de Janeiro, o físico inglês Tim Berners-Lee, que em 1989 desenvolveu o que se tornaria a world wide web, conclamou os brasileiros a adotarem a proposta de “direitos humanos” representada pelo projeto de lei. “Precisamos de algo que reforce a neutralidade de rede em benefício dos usuários”, afirmou.
Estudo encomendado pela Ofcom, o regulador britânico de telecomunicações, mostra que os internautas que mais baixam conteúdos “ilegais” são também os que gastam três vezes mais com arquivos legalizados do que aqueles que nunca “pirateiam”.
Nesta segunda-feira, 13/5, o editor chefe da Bloomberg News admitiu que os repórteres da empresa tinham acesso a informações pessoais dos clientes dos ‘Terminais Bloomberg” – uma espécie de computador que se espalhou no mundo financeiro na década de 1990 que traz informações de mercado.