A Anatel vai colocar em consulta pública, por 60 dias, a proposta de reestruturação da agência, com a redistribuição das atividades em novas superintendências, seguindo a lógica de um antigo debate: o abandono da atual divisão por serviços para adoção de competências por processos.
Para o relator da proposta, conselheiro Marcelo Bechara, a reestruturação da agência é essencial para o tratamento convergente que o órgão regulador já calcula que será a tendência das ações. “É muito difícil tratar um tema como a licença única ou licença geral, com a organização que a agência tem hoje”, avaliou.
Mais do que essa reengenharia, porém, o novo Regimento Interno da Anatel modifica a tramitação de processos, inclusive com a criação de um “juízo de admissibilidade”, como forma de evitar a situação atual pela qual todos os processos podem chegar ao Conselho Diretor.
“Atualmente, são cerca de 24 mil processos em análise. Além de a sanção ser vista como solução dos problemas, todos os processos podem chegar ao Conselho Diretor, o que representa desperdício de tempo na análise de temas repetitivos”, argumentou o relator da proposta, Marcelo Bechara.
Nesse sentido, a proposta delega competências, hoje, exclusivas do Conselho Diretor e defende a uniformização de entendimentos por meio de súmulas, além da inclusão de procedimentos atualmente não previstos pelo Regimento Interno da Anatel.
Assim, o relator defende melhor uso de medidas cautelares – que entende estarem agora muito mais direcionadas aos processos administrativos por descumprimento de obrigações. “Buscamos uma tratativa mais abrangente”, explicou o conselheiro Marcelo Bechara.
A discussão dos instrumentos, porém, tem pontos que devem gerar fortes discussões ao longo da Consulta Pública – além da audiência pública prevista: as decisões sumárias para o arquivamento de Pados; e o controverso uso de Termos de Ajustamento de Conduta – embora Bechara ressalte que esse ponto dependa de um regulamento específico.
O relator também defende que a proposta faz a “retirada do foco do controle repressivo e a valorização do controle preventivo, ainda pouco utilizado”. O relator prevê a adoção de procedimentos de acompanhamento e controle. “Para atuar antes que o problema aconteça, temos que estar próximos”, afirmou.
As medidas de transparência – que, na verdade, estão na origem da recente discussão sobre o novo regimento interno – na prática se mantiveram naquelas já adotadas desde o ano passado, como a publicidade das reuniões do Conselho e a divulgação dos documentos aprovados, o fim do sigilo dos Pados, etc.
“Faltou coragem na gestão passada de transpor as discussões que estamos fazendo hoje”, disparou a conselheira Emília Ribeiro – autora de uma proposta de regimento apresentada ainda em 2010, na qual sobressaíam as medidas de transparência, mas que foi “engavetada”.
Nova estrutura
Para dar corpo às mudanças, a proposta prevê a reorganização da agência em uma nova estrutura, com a substituição da atual por oito superintendências: Planejamento Regulatório; Outorga e Recursos à Prestação; Fiscalização; Controle de Obrigações; Competição; Relação com Consumidores; Gestão Interna; e Administração e Finanças.
Além dessas, o Regimento Interno estabelece uma estrutura mínima, parcialmente análoga, para os escritórios regionais da Anatel, com coordenadores para as tarefas de administração e finanças, controle de obrigações, outorga, fiscalização e relações com consumidores.
Carreira
O relator propõe, ainda, o que chamou de “melhor tratamento no desenvolvimento profissional do servidores”, com mapeamento de talentos e uma alocação “mais equânime” dos cargos comissionados, além da criação da figura de gestor de processos.
“Hoje, a única forma de valorizar um servidor é dar a ele um cargo de gerência”, explicou Bechara. A dificuldade dessa reforma interna, no entanto, é financeira. “A premissa zero desse trabalho foi não aumentar custos, tem que caber no bolso, na estrutura orçamentária vigente”, explica o relator. Além disso, a carreira não muda.
Ainda no campo doméstico, uma das mudanças é a criação de uma gerência de TI – que terá como uma das tarefas a preparação da agência para a adoção de processos eletrônicos. Outra ideia é aperfeiçoar o uso das redes sociais. “No futuro próximo, as redes sociais serão um canal importante para o relacionamento com os usuários”, afirmou Bechara.
Além da consulta por 60 dias, a proposta será objeto de uma audiência pública, em Brasília, e de uma audiência voltada para os servidores do órgão regulador, tendo em vista os pontos que afetam diretamente o corpo funcional.
Assista a apresentação do conselheiro Marcelo Bechara sobre a proposta de reestruturação do regimento interno da Anatel, na CDTV, do Portal Convergência Digital.
ANTERIOR Sem sucesso com multas, Anatel incentivará operadoras comportadas
PRÓXIMA Anatel vai eliminar interconexão nas chamadas fixas
Leia aqui a edição nº 4 da revista eletrônica do Convergência Digital
A quarta edição da revista eletrônica do portal Convergência Digital reúne matérias especiais sobre temas que estão na agenda do setor - crimes na Internet; computação na nuvem; carreira e compras públicas. Boa leitura!
É o que indicam o Banco Central e o Ministério da Comunicações ao tratarem da Medida Provisória 615/2013, publicada nesta segunda-feira, 20/5, que dá poderes à autoridade monetária para regulamentar novos “arranjos de pagamento”. Regras deverão estar prontas até o fim do ano. Mas BC fez um alerta às teles: os sistemas terão de se falar e ser o mais aberto possível.
Emissoras de TV levam à Anatel estudo japonês que indica haver muita interferência do 4G na TV Digital. “O edital deve prever que os custos para evitar interferência sejam cobertos pelas teles”, diz o presidente da Abert, Daniel Slaviero.
Secretário de telecomunicações, Maximiliano Martinhão, nega que o governo planeje “doar” o patrimônio vinculado às concessões de telefonia às operadoras, mas também reconheceu que esse é um tema no qual “não existe posição final do Ministério das Comunicações”.