O presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, afirmou na audiência realizada nesta terça-feira,17/4, no Ministério Público do Trabalho (MPT), que não vai suspender os efeitos das 42 demissões imotivadas que pegaram de surpresa os trabalhadores da empresa, em todo o Brasil.
A Fenadados e os sindicalistas presentes decidiram criar uma comissão de trabalhadores da empresa e foram até à Secretaria-Adjunta do Ministério da Previdência, para protocolar um documento no qual fazem críticas ao processo e contra a decisão da direção da Dataprev.
Durante a audiência os sindicalistas manifestaram revolta contra a postura adotada pela diretoria da empresa. "A forma como a Dataprev vem conduzindo todo esse processo é um total desrespeito ao trabalhador", afirma o diretor de Relações Sindicais do SINDPD-DF, Eudes Rodrigues da Silva, que juntamente com o diretor Paulo Roberto Ramos, acompanhou a audiência.
A Fenadados demonstrou que ao longo dos últimos cinco anos a Dataprev vem promovendo uma série de demissões imotivadas e, que agora, parece que o processo vai se acentuar. A empresa negou que esteja promovendo demissões em massa e ferindo o Acordo Coletivo do Trabalho (ACT). A Fenadados insiste que as demissões são em massa e, muitas vezes, motivadas por perseguições políticas e pessoais. A empresa afirma que as demissões foram motivadas pela reestruturação e os planos de ação desenvolvidos desde 2009.
A procuradora do Trabalho, Dinamar Cely Hoffmann, solicitou mais documentos à empresa e vai aguardar a manifestação da Fenadados. Em conversa informal com os sindicalistas, a procuradora afirmou que o caso é muito difícil. Hofmann solicitou que a federação faça sua manifestação com informações que demonstrem o desrespeito da empresa ao Acordo Coletivo de Trabalho. Também orientou aos sindicatos que promovam ações judiciais em defesa dos trabalhadores.
Segundo o presidente da Fenadados, Carlos Albereto Valadares - Gandola, todos os sindicatos foram orientados a não homologarem novas demissões que estejam ocorrendo na Dataprev, assim como já vinha sendo feito no caso dos 42 que já foram demitidos. "Até que se resolva o impasse a direção da Dataprev terá de homologar qualquer demissão diretamente nas Delegacias Regionais do Trabalho", informou Gandola.