GESTÃO

Consumerização pressiona gestores de Tecnologia

Fabio Barros ... 10/04/2012 ... Convergência Digital

2011 marcou o início da era da mobilidade, conhecida no mundo corporativo como a era da computação em nuvem. Esta foi uma das constatações apresentadas pela IDC nesta terça-feira, 10, durante o IDC LA Cloud Solutions Road Show, realizado em São Paulo.

De acordo com Luciano Crippa, gerente de pesquisas da IDC Brasil, esta nova era será marcada por quatro grandes tendências: serviços em nuvem, big data, negócios sociais e banda larga móvel. No final das contas, todas elas convergem para uma fato comum: a personalização da tecnologia, o que significa usuários envoltos em seus próprios ambientes de TI, também chamada de consumerização.

Um exemplo? Segundo Crippa, a era PC produziu um total de 75 mil aplicativos para computadores. Na recém iniciada era da mobilidade, já há um total de 1,3 milhão de aplicativos disponíveis para usuários, que deverão comprar 660 milhões de smartphones ao longo deste ano (15 milhões deles no Brasil).

Na prática, isso representa um desafio para as áreas de TI, que cada dia mais precisam dar suporte a este novo universo de aparelhos comprados sem sua permissão ou indicação. E a pesquisa da IDC mostra que negar este suporte não é alternativa. A demanda parte dos executivos CXO (42%), alta gerência (43%) e gerentes (26%).

Não por acaso o número de acessos a sistemas corporativos, partindo de equipamentos adquiridos pelos funcionários, cresceu de 30,7% em 2010, para 40,7% em 2011. “Na América Latina, 43% das empresas autorizam o acesso a e-mails por smartphones pessoais, e 19% fazem o mesmo com tablets”, ressalta Crippa. “O usuário foi promovido a CIO e conta com um microambiente com equipamentos, plataformas, aplicativos etc.”, completa.

Além de ampliar o inferno astral das áreas de TI, a tendência cria um novo conceito: as nuvens pessoais, usadas por estes usuários para acessar seu próprio conteúdo onde ele estiver. Obviamente há uma série de benefícios embutidos aí, que vão desde a possibilidade de atrair e reter talentos até o aumento de produtividade e inovação dentro das empresas.

Mas que eles sejam tangíveis, há alguns desafios que precisam ser superados pelas áreas de TI, como:

- Segurança – precisa mudar seu foco da proteção de equipamentos para a proteção da informação. Essa é a principal preocupação de 83% dos CIOs, seguida pela propagação de vírus (56%).

- Conformidade – há que se definir papeis e responsabilidades. Está claro que as empresas são as responsáveis pela segurança e privacidade dos dados, mas o resto?

- Custo – para metade dos CIOs ouvidos pela IDC, conviver e suportar essa variedade de equipamentos vai aumentar os custos da área moderadamente (31%) ou drasticamente (19%).

- Cultura - como ensinar as pessoas a usar seus aparelhos? O que acontece se alguns tiverem permissão para usar e outros não? Quem é o responsável pela manutenção em caso de quebra?

Para Crippa, o mercado corporativo deve buscar respostas para estas questões o quanto antes. “O mercado está mudando muito rápido e as empresas não podem ser inflexíveis. Ao contrário, devem investir em tecnologias e serviços que deem mais segurança para os equipamentos que o CIO não controla”, afirma.


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