Home - Convergência Digital

BC: Regular 'dinheiro novo' é o maior desafio

Convergência Digital - Carreira
:: Ana Paula Lobo - 10/04/2012

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, adotou um tom bastante cauteloso e não quis dar prazos para a publicação de um marco regulatório para o uso do celular como meio de pagamento. Mas admite que o meio, hoje, com mais de 257 milhões de chips ativos no país - exigirá novas regras, até em função do público-alvo: As classes C, D e E, fora do sistema tradicional bancário.

Mendes, que participou nesta terça-feira, 10/04, da 17ª edição da Cards Payment & Identification, na capital paulista, sustentou que o grupo de trabalho - criado na semana passada após encontro entre o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e o presidente do BC, Alexandre Tombini - já começou as suas atividades - ele tem 90 dias para definir um modelo - e que temas como simplicidade e inclusão bancária são relevantes para a definição dos pontos de regulação.

"Não quero definir prazos - até mesmo para esse grupo de trabalho - porque há muitos atores envolvidos no processo - cartão de crédito, bancos, operadoras e governo - mas tenho certeza que simplicidade, segurança e universalidade, além da interoperabilidade entre as plataformas tecnológicas, são pontos críticos para serem trabalhados", observou Mendes.

Indagado sobre a autoregulação do serviço, o diretor do BC disse que um acerto entre as partes envolvidas é sempre bem-vinda, mas a regulação cabe, sim, ao governo e ao BC. E um dos pontos que podem ser colocados à mesa é a criação de um ente neutro para funcionar como uma Câmara de Compensação para as transações móveis. "Esse é um modelo que funciona no SPB(Sistema de Pagamentos Brasileiro) e pode, ser, uma boa alternativa para o dinheiro novo que vai entrar em circulação", disse.

Se o pagamento móvel é visto para todas as classes sociais, a inclusão bancária é um dos desafios impostos pelo governo. Tanto que Mendes destacou a intenção de usar o meio para simplificar o acesso das famílias beneficiadas por programas sociais, como o Bolsa Família, aos recursos financeiros pelo celular.

Mas há questões para serem resolvidas: A principal delas é o modelo de remuneração dos agentes - bancos e operadoras. Também será necessário criar modelos que simplifiquem o acesso ao meio de pagamento - sem a necessidade de comprovação de dados, como os exigidos, atualmente, para a abertura de contas correntes. Mas é fato que a animosidade entre bancos e teles está mais branda e já é possível sentar à mesa para negociar.

"O cartão pré-pago, com a confirmação de pagamento via SMS, é uma solução bem clara para o pagamento móvel. A Oi terá um cartão nesse modelo ainda em 2012, em parceria com o Banco do Brasil. Mas o desafio é ter a simplicidade existente hoje para a compra de um celular pré-pago. A aquisição do dinheiro móvel, que é um dinheiro novo, não é o conhecido hoje porque ele simplesmente não existe ainda - compete, na verdade, com o dinheiro em papel, deve ser muito simples", destacou o diretor de Serviços e Produtos da Oi, Gabriel Ferreira. "Mas ao mesmo tempo exigirá uma interoperabilidade de sistemas para evitar fraudes e lavagem de dinheiro", acrescentou o executivo.

Já Maurício Romão, da Vivo, diz que a remuneração do serviço para os atores será uma realidade - senão o negócio não vinga - mas sustenta que as tarifas não devem replicar o modelo atual. "Os custos devem ser bem menores do que os cobrados hoje por um DOC, uma TED. Se não for assim, não haverá a bancarização desejada. O pagamento móvel pode explodir se os agentes atuarem em prol do modelo. Podem repetir os correspondentes bancários. O celular será um canal e deve ser visto assim", ponderou o executivo.

Enviar por e-mail   ...   Imprimir texto
 

LEIA TAMBÉM:

16/04/2014
Stelo, do BB e do Bradesco, terá carteira digital

14/04/2014
Pagamento móvel entra na mira do Facebook

10/04/2014
CADE aprova parceria TIM, Mastercard e Caixa

07/04/2014
Brasileiro com bitcoins vai declarar à Receita e pagar imposto de renda

26/03/2014
Pagamento móvel: barreiras a serem enfrentadas

26/03/2014
Receita Federal dos EUA fecha as portas para a bitcoin

07/03/2014
Pagamento móvel: as bitcoins ameaçam o futuro das carteiras digitais?

21/02/2014
PagSeguro lança leitor de cartão com chip para celular e tablet

19/02/2014
TIM, Caixa e MasterCard entram em fase final de testes para pagamento móvel

19/02/2014
Carteira digital: MasterCard acelera negociação com bancos brasileiros

Destaques
Destaques

700 MHz: Para TVs, custo da transição será ‘surpreendente’

Emissoras voltam a pedir que a venda da faixa obedeça os critérios: primeiro os testes, o cuidado com a mitigação de interferências e, só então, o edital. Segundo a Abert, o valor envolvido é grande demais para um tratamento pouco cuidadoso - algo em torno de R$ 6 bilhões.

Roteadores Wi-Fi terão mais espectro nos EUA

FCC ampliou em 100 MHz a capacidade disponível na faixa não licenciada dos 5 GHz utilizada, junto da faixa de 2,4 GHz.

Veja mais vídeos
Veja mais vídeos da CDTV
Veja mais artigos
Veja mais artigos

Mobile Wallet: você já tem a sua?

:: Por Cristiane Higashi*

Caberá ao varejo, as operadoras e as grandes empresas do consumo o papel de massificar o uso da carteira móvel no país. E fica uma certeza: quem não entrar nessa disputa, será ultrapassado pela concorrência.


Copyright © 2014 Convergência Digital ... Todos os direitos reservados ... É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site