Por não ser signatário do acordo da Organização Mundial do Comércio sobre compras públicas, o governo brasileiro não vê dificuldades na aplicação das regras que permitem aquisições nativas por valores até 25% superiores às importadas.
“Esse é um mecanismo adotado por muitos países. Os Estados Unidos fazem isso desde 1933, país que, como nós, não é signatário do acordo na OMC”, afirmou o secretario executivo do Ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira.
O mecanismo faz parte da Lei 12.349/2010, que estabelece parâmetros para a preferência a produtos ou serviços nacionais – entre eles, o mecanismo que autoriza o Estado a aceitar valores mais altos em licitações.
Pela Lei, esse valor a maior pode chegar a 25% - ou seja, um fornecedor nacional com preço até 25% acima do concorrente importado pode ser o vencedor de uma licitação. Os percentuais, no entanto, são definidos caso a caso.
Até aqui, o governo tinha regulamentado as compras públicas de calçados, têxteis e confecções, cuja margem de preço quando produzidos no país pode ser até 8% superior ao de concorrentes. A lista, agora, cresceu.
Medicamentos nacionais que utilizem insumos nacionais ou importados, a margem será de 20%. No caso de remédios em desenvolvimento ou que estejam em condição de ser produzidos imediatamente, a margem é de 8%.
Além desses, retroescavadeiras e motoniveladoras também tiveram suas margens de preferência fixadas como novo capítulo do Plano Brasil Maior, em 10% e 8%, respectivamente.
Telecom
O governo tem R$ 3,9 milhões em dotações orçamentárias para a compra desses itens nos próximos dois anos. E as preferencias devem ser ampliadas ainda em 2012. “Outros setores deverão ser incluídos ainda este ano”, disse Teixeira.
No caso específico de telecomunicações, os estudos ainda estão sendo realizados. “Estamos fazendo um estudo com base em um caso concreto, mas ainda falta demonstrar a viabilidade do preço em telecom”, explica o diretor de indústria, ciência e tecnologia do Minicom, José Gontijo.
Portaria com normas de segurança a serem adotadas por servidores, estagiários e terceirizados da pasta também veda acesso a páginas de música e vídeo, e inclusive a sítios na Internet que tenham “conteúdo atentatório à moral e aos bons costumes.
Regra que favorece fabricação e desenvolvimento nacional para equipamentos de informática nas compras públicas está em elaboração. Mas parte do governo – Ministério do Planejamento e Receita Federal – sustenta que os micros já são fartamente beneficiados com as desonerações de PIS e Cofins.
Ministério das Comunicações vai selecionar 10 entidades, de direito público ou privado, para o desenvolvimento de aplicações interativas usando o Ginga, plataforma de interatividade do SBTVD. Ideia é formar mão de obra qualificada na produção de conteúdo digital. Prazo para a entrega das propostas vai até o dia 17 de junho. Portal Convergência Digital publica a íntegra do edital.
Articulação junto ao Ministério do Trabalho e TST busca consenso para as subcontratações. “Em um automóvel, uma faz o banco, outra o pneu, outra o motor. São várias empresas para fazer um carro. Em software também”, diz o vice-presidente de articulação política da Assespro, Jeovani Salomão.