Um relatório apresentado nesta segunda-feira, 26/3, pela Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês), pede aos legisladores que aprovem uma lei para garantir aos consumidores acesso a informações detidas por “corretores de dados” – empresas que se especializam em mapear informações sobre internautas para fins comerciais.
Mas no relatório de 120 páginas, a FTC não chegou a apoiar uma legislação que torne obrigatório o mecanismo conhecido como Do Not Track (Não Rastreie), limitando-se a declarar que “a indústria tem feito progressos significativos” voluntariamente – um projeto nesse sentido foi apresentado no Congresso americano no ano passado.
Para alguns analistas ligados a consultorias pró-livre mercado, a proibição a esses mecanismos rastreadores seria prejudicial à publicidade e, consequentemente, a gratuitade de diversos sites na Internet – e poderia ter impacto mesmo nos conhecidos botões “Like”, do Facebook ou Google+.
Embora o relatório em si não impeça os parlamentares americanos de eventualmente aprovarem o projeto relativo a regras mais severas de privacidade na Internet, é de se esperar que deputados e senadores se mostrem mais relutantes em apoiar a proposta diante das considerações do órgão regulador – o FTC tem competência em questões relacionadas à privacidade.
Naturalmente, militantes que defendem restrições mais diretas se mostraram desapontados com o relatório final da FTC. O Eletronic Privacy Information Center, por exemplo, sustentou que a Comissão “não foi longe o bastante” nas recomendações e “erroneamente sustentou a auto-regulação”
Em essência, a Comissão Federal do Comércio defende que empresas de Internet adotem políticas internas de privacidade mais severas, que garantam a segurança dos dados dos consumidores, bem como limitem a compilação e retenção de tais informações.
No Brasil para a conferência WWW2013, no Rio de Janeiro, o físico inglês Tim Berners-Lee, que em 1989 desenvolveu o que se tornaria a world wide web, conclamou os brasileiros a adotarem a proposta de “direitos humanos” representada pelo projeto de lei. “Precisamos de algo que reforce a neutralidade de rede em benefício dos usuários”, afirmou.
Estudo encomendado pela Ofcom, o regulador britânico de telecomunicações, mostra que os internautas que mais baixam conteúdos “ilegais” são também os que gastam três vezes mais com arquivos legalizados do que aqueles que nunca “pirateiam”.
Nesta segunda-feira, 13/5, o editor chefe da Bloomberg News admitiu que os repórteres da empresa tinham acesso a informações pessoais dos clientes dos ‘Terminais Bloomberg” – uma espécie de computador que se espalhou no mundo financeiro na década de 1990 que traz informações de mercado.
Não é apenas o poder público que está criando regras rígidas para o uso das redes sociais no ambiente de trabalho. Pesquisa da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial - Aberje - revela que grandes conglomerados nacionais optaram pela estratégia radical de não ter nenhum vínculo com o facebook, rede que tem a adesão de mais de 70 milhões de brasileiros.
Tratar as informações de acordo com a sua importância e evitar, a todo custo, congestionamento como forma de garantir a qualidade de serviço é tarefa essencial para evitar congestionamentos e paradas de redes.