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Mídias Sociais – vai o governo perder o bonde da tecnologia, outra vez?

 :: Por Maria Alexandra Cunha e Solon Lemos Pinto
 Convergência Digital
:: 14/03/2012 
    

A Luísa voltou do Canadá! Uma ilustre desconhecida é elevada à condição de tópico mais discutido do Twitter. Uma enfermeira tortura e mata seu cachorro, na presença do filho, e as imagens do Youtube fazem a indignação tomar conta do país pelo Facebook. O Supremo Tribunal Federal sofre pressão da população para julgar o processo do mensalão.

Mídias sociais, como o Twitter, Orkut e o Facebook, fazem mais sucesso entre os internautas brasileiros do que em outros países. Estimativas do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) indicam que são 70% dos internautas brasileiros urbanos e 63% dos que habitam em área rural que usam mídias sociais.

O Brasil tem, além disso, mais de 200 milhões de telefones celulares, grande parte dos quais se encontra nas mãos das classes C e D. Indicadores como estes, aliados às oportunidades que a tecnologia oferece para turbinar campanhas eleitorais – na esteira do bem conhecido sucesso da campanha de Barack Obama com os recursos da Web 2.0, em 2008 – nos permitem antever que este ano a tecnologia será usada como nunca por políticos brasileiros nas eleições municipais.

Mas as mídias sociais não estão aí apenas para que candidatos ganhem eleições. Sejam quais forem os vencedores, existem grandes desafios a serem enfrentados pelos governos. É necessária uma atitude pró-ativa em relação aos milhões de pessoas que já utilizam plataformas móveis no país.

Há uma classe economicamente emergente que passa a ter acesso às facilidades de comunicação, os custos dos aparelhos estão caindo e há expectativa da população que o mesmo aconteça com os custos de comunicação. Então, é preciso aumentar a participação dos cidadãos em todas as etapas de políticas públicas, ampliando a prática democrática.

É preciso avançar na universalização dos serviços, considerando as possibilidades das mídias sociais. E, nas práticas de governança de TIC, os governos têm que extrair mais valor dos investimentos para que se concretizem as oportunidades das mídias sociais.

No tocante ao primeiro desses desafios, aumentar a participação, a boa notícia para os cidadãos é que, se o governo não o fizer de maneira pró-ativa, terá que fazê-lo como resposta à população. O movimento pelo julgamento do “mensalão” é um bom exemplo no Poder Judiciário, tradicionalmente à margem de manifestações populares. Em Portugal, grande manifestação e greve geral foi convocada pelas mídias sociais, curiosamente utilizando como chamada a música “Ai, não nos calam”, uma paródia do hit de Michel Teló. Os governos terão que enfrentar as mídias sociais, estando nelas, ou não! A comunicação com algumas camadas da população, inclusive, deve ser feita preferencialmente por estes canais, pois há uma tendência de que esta venha a ser a primeira forma de comunicação entre os jovens. Alguns governos, como o governo de Minas Gerais, experimentam estas tecnologias. Afinal, experimentá-las, conhecê-las e utilizá-las adequadamente, é uma melhor estratégia do que ser atropelado por elas.

A participação do cidadão não é uma concessão de um governo por um ou dois mandatos, deve ser vista como direito e incentivada. E para participar, o cidadão deve ter diferentes canais à disposição, de forma a reduzir restrições de mobilidade, de acesso, de exposição. A participação deve contar com mecanismos tradicionais e com tecnologia em múltiplos canais, integrados entre si.

As políticas de tecnologia necessárias para conduzir a isso certamente estarão expressas nos programas de alguns candidatos municipais. Resta saber de que forma serão implementadas depois das eleições. Será que os governantes recém-eleitos saberão colocar a serviço do cidadão as mesmas tecnologias tão bem empregadas em suas campanhas?

O segundo desafio, a universalização dos serviços, é garantir que todos os cidadãos tenham acesso aos serviços públicos, no canal que lhes for mais conveniente. O país precisa ultrapassar a brecha digital diagnosticada pelas pesquisas do CGI. Muitas pessoas não têm acesso à Internet nos domicílios por não terem condições de pagar pelo acesso (74%), por não verem nisso uma necessidade (38%) ou por falta de habilidades necessárias para fazê-lo (26%).

Se de um lado alguns serviços públicos podem ser acessados a partir de dispositivos mais populares como o telefone celular, de outro a internet pelo celular, que não pára de crescer em outros países, por aqui está estagnada há anos por que mais de 80% dos celulares brasileiros são pré-pagos, segundo a Anatel.

As mídias sociais exigem facilidades de comunicação para uma população em movimento e grande parte dos brasileiros tem nas mãos um celular. Mas não há comunicação de qualidade e a custo acessível para todos. O caminho: uma política de regulação mais agressiva, que considere mais as necessidades do cidadão e menos sujeita aos interesses das operadoras de telecom.

Por último, ser mais assertivo nas práticas de governança de TIC significa estabelecer, ou ampliar, práticas que garantam que a tecnologia esteja alinhada aos objetivos de governo e às expectativas da população. Para as “informáticas”, significa gerenciar melhor, comprar melhor, relacionar-se melhor com as áreas de governo e com a gestão pública, e garantir o uso inovador das tecnologias como mídias sociais.

Não existem indicadores de uso de tecnologia no setor público, mas é fato que ele está menos evoluído do que nas empresas. A pesquisa anual sobre o Uso de TI, da FGV-EAESP, mostra que cerca de 7% do faturamento líquido de médias e grandes empresas brasileiras é utilizado em investimentos e gastos com informática. Uma olhada rápida a qualquer atendimento ao cidadão permite concluir que, com honrosas exceções, a relação não é a mesma para governos no Brasil, mesmo os de médio e grande portes.

Para os governos, enfrentar que Governança dos recursos de TI e de informação é tarefa de Estado, não é trivial. Os desafios são todos os da iniciativa privada, e outros tantos, mas há governos e organizações públicas com sucesso na implementação de projetos de governança.

O governo já perdeu um dos bondes da tecnologia – a prestação de serviços pelo celular, largamente utilizada pela iniciativa privada no Brasil mesmo com nossas restrições de acesso. O bonde das mídias sociais está parado no ponto, e dá tempo de chegar. Vamos perdêlo também?

* Maria Alexandra Cunha é professora da PUC-Paraná e consultora associada da BRISA - alexandra.cunha@pucpr.br
* Solon Lemos Pinto é Vice-Presidente da BRISA - solon.pinto@brisa.org.com


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