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Nuvem e data centers impulsionam TI brasileira em 2012

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:: Fabio Barros :: 06/03/2012

A IDC Brasil divulgou nesta terça-feira, 06, as suas previsões para o mercado brasileiro em 2012. Mauro Peres, presidente da IDC Brasil, lembrou que as previsões apresentadas foram fruto das reuniões que os mais de 30 analistas da consultoria realizaram com empresas do mercado de TI ao longo dos últimos meses.

No geral, as previsões para o mercado brasileiro são bastante otimistas. Globalmente, a IDC prevê que o mercado de TI deve chegar a US$ 5 trilhões em 2020 – US$ 1,7 trilhão a mais que hoje -, com seu crescimento impulsionado por tecnologias de terceira plataforma (mobilidade e aplicativos relacionados); explosão de novas soluções construídas para esta plataforma; e expansão dos mercados emergentes.

Com esta perspectiva, o mercado global de TI deve crescer 4,9% em 2012, dando continuidade às tendências verificadas em 2011, ano de consolidação da terceira plataforma e do crescimento das tecnologias relacionadas, como cloud computing e big data, por exemplo. “Passamos de milhões de usuários de tecnologia para bilhões, e essa fragmentação torna o gerenciamento de TI cada vez mais complexo”, afirma Peres.

É neste contexto que a IDC identificou dez tendências que devem nortear o mercado brasileiro de TIC este ano:

1 – Crescimento
O mercado brasileiro deve crescer mais que o dobro que a média mundial em 2012: TI (8,8%); hardware (7,2%); software (8,6%); serviços (11,1%); e serviços de telecom (7,2%). De acordo com Peres, só uma catástrofe global pode mudar esses número. “A maioria das empresas têm metas de crescimento acima de 10% para este ano. Muitas falam em duplicar suas operações em três anos”, afirma.

2 – Consumo doméstico
O Brasil deve comercializar aproximadamente 17,6 milhões de computadores este ano e mais de 3 milhões de residências terão seu primeiro PC este ano. Neste ritmo, o número de residências com ao menos 1 PC deverá chegar a 30 milhões. Mas não são apenas os PCs que crescem: o país deve comercializar 15,5 milhões de smartphones e 2,2 milhões de tablets este ano. Com este resultado, as residências brasileiras conectadas de algum modo chegarão a 59,6 milhões. Também este ano, os smartphones devem ultrapassar notebooks e netbooks em vendas. De acordo com a IDC, este crescimento deve-se à isenção fiscal dada pelo governo em 2005, quando a base era de pouco menos de 10 milhões de residências.

3 – Consumerização de TI
Este ano, mais da metade das empresas permitirão aos funcionários (alguns) trazer seus próprios dispositivos para uso corporativo. Também deve crescer o uso de ferramentas de comunicação e colaboração, o que vai trazer experiências mais ricas, aumentando a produtividade dos funcionários. Isso trará impacto para empresas como Cisco, Avaya, Microsoft, IBM e outras.

Também deve crescer o uso de plataformas e ferramentas sociais, que estão sendo usadas pelas empresas para buscar a opinião de seus clientes e para descobrir quais são os requerimentos e exigências deste público. Esse movimento aumenta a quantidade de dados que as empresas têm que monitorar, impactando data mining. Em 2012, a consumerização vai crescer não apenas em quantidade de empresas permitindo acesso, mas também na quantidade de funcionários dentro da empresa com acesso a estas plataformas. Isso vai obrigar as empresas a criar programas de conscientização e ampliar o uso de soluções de segurança.

4 – Redes móveis
O faturamento do mercado de dados móveis deve superar R$ 13 bilhões em 2012. Os serviços de dados representarão 27% do total do mercado de serviços móveis. De acordo com a IDC, o Brasil deve começar a ver a proliferação dos serviços M2M (machine to machine) e os primeiros passos dos pagamentos móveis.

A tendência vai exigir transformações na indústria. Por conta da demanda, as operadoras começam a pensar em LTE e HSPA como soluções de médio e longo prazo. Também este o ano o Brasil dará os primeiros passos para redes 4G, que devem contar com ofertas somente em 2013 ou 2014.

5 – Cloud computing
“A previsão é de uma maior qualificação na contratação de serviços de cloud. Já houve um amadurecimento muito grande de 2010 para 2011”, ressalta Peres. Em 2010, 55% das empresas não tinham planos para cloud e, em 2011, esse percentual caiu para 27%.

O modelo assusta menos e, neste ano, pelo menos 50% das empresas terão um primeiro contato com a computação em nuvem. Enquanto algumas vão usar ou fazer os primeiros testes, em outras será possível ver adoções um pouco mais robustas. Outro ponto interessante: hoje 60% do mercado entende as ofertas, contra 20% em janeiro de 2011.

Com isso, o mercado de SaaS, que deverá contar com soluções mais complexas e inteligentes como ERP, CRM e BI, deve dobrar suas receitas este ano. As operadoras de telecom devem se consolidar como grandes players deste mercado. O movimento fará com que o crescimento médio das nuvens públicas nos próximos três anos seja de 67% (IaaS), 78% (SaaS) e 53% (PaaS).

6 – Serviços de data center
Em 2012, esta continuará sendo a área de maior crescimento de receitas no mercado de serviços de TI e ainda assim o crescimento da demanda continuará maior que o crescimento da oferta. De acordo com a IDC, 45% das empresas que já tem data centers próprios vão ampliá-los em 2012 e 85% dos fornecedores de serviços vão investir na expansão de suas estruturas. As ofertas de “cloud in a box” devem crescer e poucas empresas vão oferecer nuvens privadas, por conta da complexidade.

7 – Big data
Do ano passado para cá, a IDC constatou o amadurecimento do mercado, que demanda cada vez mais gestão do ciclo de vida do dado. O grande ponto é saber onde atacar e o que priorizar. De acordo com Carlos Eduardo Calegari, analista da IDC Brasil, há quatro fatores característicos em big data: volume, guardar cada vez mais dados e informações; variedade de fontes de dados e diversidade do tipo de dados e como trazê-los para os sistemas de análise; velocidade do processamento de dados e disponibilização da informação; valor produzido.

“O fato é que mais da metade das empresas não conseguirá avaliar que aspectos serão mais críticos para seus negócios, e por isso não conseguirão estabelecer iniciativas de big data”, afirma. Por outro lado, mais da metade das grandes empresas vai investir em BI e o suporte dos fornecedores de TI será fundamental para isso.

8 – Appliances
Em função da necessidade de as empresas organizarem melhor suas informações sobre o negócio, a IDC identificou o movimento de empresas de hardware fechando parcerias com empresas de software para atender esta demanda. Por conta disso, a previsão é que, em 2012, a oferta de appliances para consolidação, processamento e disponibilização de informações vai crescer.

“Os fabricantes estão se estruturando de maneira eficiente. A questão é o custo destes appliances e os fornecedores terão que fazer adaptações para o mercado brasileiro. Terá vantagem o fornecedor que levar em conta o legado de seus clientes”, compara Célia Sarauza, analista da IDC Brasil.

9 - Servidores e storage
Os mercados de servidores e storage terão crescimento modesto, isso porque a evolução da tecnologia tem feito com que as empresas comprem menos servidores e encontrem dispositivos de armazenamento cada vez mais baratos.

Do lado dos servidores, os data centers brasileiros começam a adotar servidores ultra densos e os micro servidores começa a ter grande aceitação por parte das pequenas empresas, que estão substituindo os servidores montados ou PCs usados como tal.

Já os equipamentos de storage tem ficado cada vez mais baratos, o que deve dar acesso a empresas menores. As parcerias aqui terão papel fundamental para atender outras regiões. O resumo é: o setor cresce, mas não nos mesmo volumes, e margens, registrados há alguns anos.

10 – Copa do Mundo
A IDC ouviu governos estaduais e federal e constatou que menos de 5% das instituições públicas terão a Copa como prioridade em 2012. “A questão da organização da Copa está muito centralizada em poucos órgãos. O que vemos é que as oportunidades este ano estarão nos mercados de equipamentos e serviços de telecomunicações. Ainda assim, as receitas mais expressivas só serão geradas a partir de 2013”, revela Peres. Por seu lado, o governo deve estimular a adoção de soluções inteligentes nas áreas de transporte, segurança e energia.

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