O Secretário de Planejamento de São Paulo, Andrea Calabi, mistifica grosseiramente ao criticar a Adin impetrada pelo governo do Amazonas junto ao STF, questionando, a meu ver estribado em excelente direito, a guerra fiscal movida contra a Zona Franca de Manaus. São Paulo, concedeu inventivos fiscais às empresas produtoras de tablets, ao arrepio da legalidade.
Diz Calabi que o Amazonas pretende o monopólio da fabricação de tablets, quando, na verdade, meu estado foi é banido da perspectiva de entrar nesse negócio dinâmico, de futuro e lucrativo, a partir de infeliz Medida Provisória editada pela Presidente Dilma Rousseff. Do jeito que está, quem fica com o monopólio é precisamente São Paulo e o Secretário Calabi sabe disso muito bem.
Como o conheço bem e sei que se trata de homem esclarecido e tecnicamente competente, concluo então que teve um ataque de cinismo para defender, contra a Constituição, que a fabricação de tablets se dê longe do Polo Industrial de Manaus, que deveria ser o endereço correto para a empreitada.
Entendo que o dever de Calabi é lutar pelo estado onde vive e que o tem como Secretário de Planejamento. Mas não aceito a desfaçatez e a hipocrisia. Não tolero que tripudie sobre o Amazonas, que vive momento tenso, face ao visível esquema de esvaziamento da Zona Franca de Manaus posto em prática pelo governo federal e adubado pela guerra fiscal que diversos estados vem movendo.
Calabi é inteligente, mas, paradoxalmente, comete a burrice de não pensar globalmente. Esvaziar o Amazonas economicamente significa deixar a maior parte da floresta amazônica sob grave risco de desmatamento. Afinal, o caminho que meus conterrâneos teriam pela frente seria avançar sobre a floresta. Muito dificilmente haveria quem lograsse impedir a exploração dos recursos naturais e da cobertura florestal de maneira predatória.
Quem protege a floresta, meu ilustre Calabi, é precisamente essa Zona Franca que figuras elitizadas e sobre ela desinformadas (como você) desprezam como se não tivesse havido lucidez no Presidente Castelo Branco e no Ministro Roberto Campos ao criá-la.
* Artur Virgílio Neto - Diplomata e ex-senador pelo PSDB/AM.