A Comissão Europeia quer estimular o crescimento do setor de cloud computing na região. O foco da comissão é estimular os governos a adquirir, de forma compartilhada, software e recursos computacionais c diretamente da web, explicou Neelie Kroes, comissária de questões digitais, nesta quinta-feira, 26, em Davos.
Para isso, os 27 membros do comitê executivo da comissão criaram um grupo de trabalho, chamado European Cloud Partnership, que terá um fundo inicial de US$ 13 milhões. O grupo formado por funcionários dos governos, compradores e fornecedores de cloud deverá trabalhar no desenvolvimento de padrões e requisitos comuns de segurança para toda a região, permitindo que as aquisições compartilhadas possam ser feitas.
O mercado global para serviços em nuvem, ou recursos computacionais sob demanda, como armazenamento de dados e aplicativos de software via web, deve saltar de US$ 40,7 bilhões em 2011 para US$ 241 bilhões em 2020, de acordo com o Forrester. Regras divergentes, como sobre proteção de dados, tornam difícil para empresas como a IBM ou a Atos, por exemplo, abordar seus clientes de modo padronizado.
“Precisamos agir para suportar a adoção rápida da nuvem na Europa. O mercado vai crescer, trazendo oportunidades para fornecedores tradicionais e novos entrantes. E os compradores, incluindo o setor público, vão querer mais com menos para se tornar mais eficientes”, disse Kroes.
A executivo espera que o projeto comece este ano e comece a mostrar seus primeiros resultados em 2013. Ela ressaltou que a parceria não trata da construção de uma super nuvem europeia e não vai forçar a combinação das infraestruturas existentes hoje e lembrou que o setor privado deverá seguir a lógica da parceria.
“Achamos a iniciativa benvinda e vamos colaborar com a União Europeia para que o setor, governos e usuários privados sintam-se mais seguros e confortáveis na adoção de serviços em nuvem. São eles que criarão a escala que viabilizará benefícios econômicos”, disse John Vassallo, líder da Microsoft para o mercado europeu.
A comissão apresentou uma proposta para a revisão das políticas de proteção de dados, implementadas há 17 anos. O plano inclui multas de até 2% das vendas globais anuais para empresas que perderem ou manusearem dados pessoais de forma incorreta e prevê que danos graves a dados devem ser comunicados em 24 horas.
Vassallo disse ser “quase impossível” notificar clientes e autoridades em 24 horas a partir da perda de dados, isso porque as companhia geralmente não ficam sabendo destes incidentes imediatamente. As regras propostas deverão obrigar as empresas a pedir aos usuários consentimento explícito cada vez que quiserem armazenar dados pessoais o que, segundo o executivo, criaria experiências “perturbadoras” para os usuários. “A proposta tem sua disposição para alcançar o equilíbrio, mas gostaríamos que ela estivesse aberta ao debate”, afirma.