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"Internet não é luxo. É necessidade", garantiu Lula

:: Ana Paula Lobo*
:: Convergência Digital :: 14/12/2009

Ao participar da cerimônia de abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, em Brasília, na noite desta segunda-feira, 14/12, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou menos do que o esperado sobre o Plano Nacional de Banda Larga.

Disse apenas que ele será anunciado 'em breve'. Lula comemorou os dados do IBGE com relação à Internet nos últimos três anos, mas criticou o alto índice de exclusão ainda existente (Mais de 100 milhões de brasileiros sem acesso à Web). Repetiu que inclusão digital é prioridade nacional e garantiu que o projeto "é levar Internet para todos no pais com preços razoáveis".

A parte mais enfática de Lula sobre o tema foi quando ele disse que 'Internet não é luxo. É serviço essencial. Ela hoje serve para o trabalho, para o lazer, para o estudo e, principalmente, para o exercício da cidadania". O presidente finalizou o assunto repetindo que o plano do governo trabalhará com a oferta de velocidades e preços razoáveis para o acesso à Internet.

Lula, na verdade, centrou seu discurso no tema do evento: A comunicação social. Segundo ele, a fronteira entre Internet, Rádio e TV está muito tênue com as convergências de mídias. Enfatizou que o debate acontece num momento crucial. "O Brasil e o mundo mudaram. O Código Brasileiro de Telecomunicações é de 1962. Completou 47 anos. Precisa ser mudado É hora de rever os marcos regulatórios", declarou.

Enfatizando ser um adepto do diálogo e assegurando o seu compromisso com a liberdade de imprensa, o presidente Lula criticou os atores ausentes do evento, entre eles, Abranet, Abert e outras entidades, que preferiram não discutir. "Lamento profundamente que esses atores tenham se ausentado do diálogo, mas cada um sabe onde aperta seu calo e vida que segue. Vamos debater sem eles", disse Lula, bastante aplaudido pela platéia.

O discurso mais ácido coube ao presidente do Grupo Bandeirantes e da ABRA, Johnny Saad, e que mostrou a cisão no segmento da radiodifusão, uma vez que a ABERT decidiu não participar. O executivo começou vaiado, mas terminou aplaudido.

Saad aproveitou para relembrar que a TV Aberta, peça-chave do debate da Confecom até o dia 17, "é frágil porque é aberta, é grátis e depende da publicidade para sobreviver". Já a TV a cabo, observou, tem como renda a assinatura e a publicidade.

Para exemplificar o momento atual, lembrou a compra da NBC pela Comcast nos Estados Unidos. "É o poderio financeiro que dá as cartas", criticou. Saad não poupou a rival Globo, apesar de não citar diretamente o nome dela. "Quem faz conteúdo não pode dominar a distribuição", sustentou o presidente do Grupo Bandeirantes.

Quem não teve boa sorte na cerimônia foi o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Sob vaias da platéia - formada por executivos do setor de telecomunicações, comunicações e representantes sociais, além dos jornalistas - o ministro fez um discurso 'sóbrio'.

Destacou a importância da TV Digital e do sistema brasileiro - SBTVD, ao lembrar que o padrão nipo-brasileiro está sendo adotado no Mercosul e já abre caminhos em outros continentes, como o africano. Também reiterou a necessidade do debate e do ineditismo de um governo liderar um debate sobre Comunicação Social.

* Com informações da NBR


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