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TV Digital: Indústria do setor resiste à produção local de conversores

:: Luís Osvaldo Grossmann, de Manaus*
:: Convergência Digital :: 27/11/2009

No esforço para convencer fabricantes a investirem no mercado de conversores para a TV Digital,a Casa Civil e a Suframa reuniram empresários brasileiros para uma apresentação de cinco plataformas produzidas por multinacionais. Como não se materializou a promessa de que a escolha do padrão japonês traria ao país a fabricação de semicondutores, a aposta é na montagem dos conversores, a partir de desenhos importados, com vistas a equipamentos que custem cerca de R$ 120.

Apesar de certa resistência de alguns dos convidados, receosos de uma apresentação conjunta, ST Microeletronics, NXP, Intel, Broadcom e a indiana Piqqual mostraram seus "pacotes" para uma pequena plateia de empresas com presença no Brasil, especialmente do Pólo Industrial de Manaus, durante a Feira Internacional da Amazônia - Fiam 2009.

Todos apresentaram plataformas que, garantem, respeitam as características do padrão nipo-brasileiro, com destaque para a interatividade, por valores entre US$ 30 e US$ 55 - de R$ 50 a US$ 95, aproximadamente. "Estamos interessados, agora vamos ver como as conversas evoluem. A US$ 35 é viável", diz Roberto De Raphael, dono da Pop Technology, que fabrica principalmente terminais eletrônicos para bancos e empresas aéreas.

De Raphael não deixou de notar que havia muito mais lugares vagos que ocupados no auditório da Superintendência da Zona Franca de Manaus. "É incrível que os cinco principais grupos de desenvolvedores do mundo atraiam uma presença tão pequena de empresários", diz ele, para em seguida concluir: "As grandes não têm interesse e acho que é porque a margem com televisores é bem maior".

Os organizadores afirmam que 26 representantes de diferentes empresas assinalaram participação no encontro. Da parte do governo, se cinco delas fecharem negócio, é sucesso - e, pelas contas, ao menos duas, além da Pop, pretendem aprofundar as conversas com os desenvolvedores. Mas André Barbosa, da Casa Civil, também aponta para a preferência dos fabricantes nacionais pelos televisores com conversor embutido como limitador da expansão da TV Digital no país.

“Nossa aposta é nas pequenas e médias empresas. E acreditamos que entre cinco e dez fabricantes possam se interessar e ter escala nesse mercado”, torce. Para conquistar essas empresas, Barbosa mencionou um mercado potencial de 350 milhões de espectadores, no Brasil e vizinhos, e sua possível ampliação para além-mar.

Além disso, há discussões no governo sobre incentivos, como financiamentos à produção (BNDES) e ao varejo (Caixa Econômica). “É possível a produção em larga escala com vistas a Copa do Mundo do ano que vem”, arrisca.

Conversores baratos fizeram parte do vocabulário estatal logo após a escolha do padrão brasileiro, especialmente via Ministério das Comunicações, mas depois saíram de moda. Agora, como antes, há uma meta de preço - o alvo é R$ 120. Um dos grandes fabricantes de televisores do país, presente na reunião em Manaus, se arrepia. É o tipo de coisa que pode azedar o Natal do setor. “Cria-se uma expectativa no consumidor, mas dão preços que não se chega.”

Ele faz as contas e sustenta ser enganoso pensar no preço das plataformas sem levar em consideração a adição dos royalties sobre os componentes, algo como US$ 10. Inclui, ainda, os custos de produção, marketing, vendas, etc, que vão se interpondo entre os conversores e os consumidores. “Fica bem acima dos R$ 120”, conclui.

Mas há um ponto que une governo e fabricantes, pequenos e grandes - a cobrança de maior empenho dos radiodifusores, principalmente do maior deles. O refrão dessa queixa segue o raciocínio de que não basta conquistar os espectadores pelo preço, uma vez que até um conversor que cabe no bolso pode ser uma extravagância para quem não vai perceber grande diferença na maior parte da programação.

*Luis Osvaldo Grossmann viajou a Manaus a convite da organização da FIAM 2009
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