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TV Digital: Publicação da norma Ginga-J no site do Fórum SDBTVD libera o mercado

Atualizada em :: 26/08/2009 12:07
:: Cristina De Luca

"Estão querendo me pressionar. Não vamos resolver esta questão da versão 2.1 do JMF de forma atabalhoada, correndo. A publicação da norma Ginga-J na ABNT não é obrigatória. Nem impedimento para o início de venda dos produtos no mercado. Tanto que a LG vai começar a vender essa TV Time Machine Digital com o Ginga já em setembro", afirmou enfaticamente Frederico Nogueira, presidente do Fórum SBTVD, após a cerimônia de abertura da SET 2009.

Segundo Frederico, desde a votação da norma Ginga-J no Fórum, e a publicação do texto que foi submetido à consulta pública na ABNT, que inclui a versão 1.0 do JMF como obrigatória, os fabricantes com produtos praticamente prontos já poderiam lançá-los no mercado. Porque não o fizeram?

"Porque ninguém pode esperar que dois meses depois de publicada a norma já exista produto pronto. Mesmo entre aqueles mais adiantados", disse ele.

E quanto ao discurso de emissoras e fabricantes presentes ao Fórum, de que só não têm produto hoje no mercado porque a norma ainda não foi publicada? Eles mentem?

"O que pode estar acontecendo é que muitos deles estejam esperando uma definição sobre a versão 2.1 do JMF. Se ele será colocado como opcional, como obrigatório, ou não. É um direito deles", diz Frederico.

Segundo ele, estão criando uma polêmica porque querem colocar mais benefício. Mas não se trata só de uma discussão acadêmica/cientídica. "Se você for analisar as normas hoje, a quantidade de coisas opcionais no Ginga é grande. O JMF 2.1 já está consolidado no mundo inteiro, mesmo sendo tão novo. Por isso alguns gostariam de colocá-lo como obrigatório. mas ele não poderia ser opcional? Não dá para tomar uma decisão dessa assim, sem discutir muito. A gente já caminhou muito nessa questão do Ginga. isso é um detalhe", afirma. 

O executivo garante que questões como segurança para interatividade, fundamental para viabilizar aplicações de home banking, também já têm regras definidas em grupos de trabalho do Fórum SBTVD. E poderiam estar em uso hoje.

Quanto aos trabalhos de elaboraçãoo de uma suíte de testes e do guia de operação, Frederico reafirma que até o fim do ano já estarão terminados. Eles assegurarão que as aplicações interativas sejam compatíveis com todos os receptores aderentes ao padrão Ginga.

Mas o executivo descarta a existência de um selo de conformidade para o Ginga, como acontece com dispositivos one seg. "Nosso selo padrão é o DTV. Ele é o nosso selo de qualidade. Para usá-lo, o fabricante precisa declarar estar em conformidade com as normas e ser membro do Fórum SBTVD", explicou. "Este selo será suficiente para assegurar ao consumidor que aquele receptor com Ginga é compatível com as aplicações que as emissoras estarão transmitindo", garantiu.

E promete fiscalização rigorosa. "Não gosto de divulgar isso, mas nós já fomos ao mercado e chegamos a determinar a retirada de produtos por falta de conformidade com as normas SBTVD", afirmou. "A gente vai cuidar da marca DTV com muito carinho, muito cuidado", completou

Sobre a publicação de normas na ABNT, Frederico afirma que ela não é obrigatória. "A gente lançou a TV Digital em 2 de dezembro sem a ABNT. Fomos ter um ano depois. Demoramos mais de um ano para publicar na ABNT as especificações do monitores. Porque eu tenho que fazer a do Ginga correndo? Vai ser a na hora que a gente estiver maduro", explicou.

Na prática, Frederico Nogueira reafirmou o que você já leu aqui: o que inicia o processo produtivo não é a ABNT. "Dizem que a publicação lá ajuda a reduzir a importação de equipamentos fora da norma. Mas se isso acontecer, eu não posso fazer nada com a ABNT. É preciso ter uma portaria ministerial, algo assim que diga que eu posso retirar da prateleira o que está fora da norma. Eu hoje só posso tirar o produto que usa o selo DTV. A gente está discutindo se precisa tudo isso. A quantidade de produtos importados hoje é inexpressiva", afirma o executivo.

Ainda segundo Federico, o Fórum SBTVD trabalha com a possibilidade de definir uma data simbólica para marcar o início da interatividade no padrão brasileiro, como foi 2 de dezembro de 2007 para o início das transmissões digitais.

"A dificuldade é saber quando todos estarão prontos para que isso aconteça. Está todo mundo aprendendo a lidar com esse mundo novo", disse.

Provavelmente no início de 2010?

"No Natal já teremos muita gente colocando produtos no mercado. Em 2010, há uma portaria do MDIC que estabelece que televisores acima de determinado tamanho saiam obrigatoriamente de fábrica com conversores. Estamos pressionando o governo para que incluam obrigatoriamente o Ginga também", revelou o executivo.

O governo está sensível a esta questão. "Eu acho que o governo já está estudando algum incentivo para o Ginga. O sonho de todos nós é o de que o governo tenha uma linha de incentivo ficais semelhante a do programa "Um computador para todos" também para o segmento de TV Digital", disse.

A ver.

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Ao comentar a notícia de que a Argentina anuncia esta semana a adoção do padrão nipo-brasieliro para TV Digital _ até aqui apenas o Peru havia anunciado a adesão _ Frederico Nogueira confirmou notícia publicada aqui nesta coluna, em junho, de criação, no final de Setembro, em Lima, de um fórum internacional para harmonização dos diferentes padrões, aos moldes do que foi feito com as versões japonesas e brasileira do ISDB-T.

Na verdade, o fórum materializa-se com o ingresso do Peru no Grupo Técnico de Cooperação (GTC), já exsitente entre Brasil e Japão e que tratou da harmonização das das normas brasileiras e japonesas de TV Digital. A harmonização agora busca pontos comuns do ISDB-T na região. Por exemplo, na transmissão one seg, o Brasil trabalha com 30 quadros por segundo o japonês com 20. O Ginga é exclusivo do Brasil. Há um mês, foi realizado um seminário para explicar o Ginga em profundidade para os japoneses.

A presidência desse fórum internacional deverá ser rotativa, segundo Frederico. Inicialmente, a composição inclui Japão, Brasil e Peru. Mas a a intenção é convidar todos os demais países aderentes ao padrão _ como poderá ser o caso da Argentina a partir do momento que ela confirmar a escolha, na sexta-feira _ para que possam ser beneficiados também pelos avanços técincos gerados a partir dos trabalhos desse fórum internacional.

O processo todo de internacionalzação é copmplexo.Sabe-se, por exemplo, que cada país precisará negociar unilateralmente as condições de licenciamento do sistema de transmissão com o Japão .

"Nós negociamos isenção de pagamento do licenciamento do padrão. E os japoneses estão muito abertos a fazerem o mesmo com os outros países da região. É impressionante o esforço do Japão nesse sentido", afirmou Frederico.

O Equador já estaria negociando com os japoneses nesse sentido.

Com relação ao JVM no Ginga-J, por exemplo, o acordo negociado pelo Brasil para pagamento à Sun já se preocupou em estender o mesmo preço aos demais países optantes pelo modelo nipo-brasileiro.


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