As agências tradicionais não serão extintas. Pelo menos é o que imaginam, com unanimidade, três dos principais executivos da instituição financeira. Como parte das celebrações de seus 200 anos, o Banco do Brasil apresentou nesta sexta-feira, 28/11, o recém-inaugurado espaço 'Tecnologias do Futuro', localizado na avenida Paulista, na capital paulista.
Trata-se de um local de exposição onde o público terá acesso às avançadas tecnologias de atendimento bancário atualmente testadas pela instituição financeira. Entre as inovações apresentadas estão dispositivos de identificação biométrica, terminais de auto-atendimento interativos com telas touch screen, telefonia IP, soluções de videoconferência, televisão 3D, acesso ao internet banking pela TV digital e até mesmo a partir de consoles de videogames com suporte a conexão web.
"A idéia deste espaço é receber o público para entender a aceitação de cada tecnologia", explica José Prolas Salinas, vice-presidente de tecnologia e logística do Banco do Brasil. "Queremos que o cliente nos ajude a determinar quais tecnologias implementar", diz, lembrando que o espaço está à disposição do público e será volante.
"As novas tecnologias rodarão todo o País, inclusive para entendermos as diferenças e adaptações regionais necessárias". acrescenta o executivo. Todas essas tecnologias, no entanto, não colocarão fim às agências tradicionais. "Sabemos que hoje, mais de 90% das transações bancárias são realizadas fora da agência. Por isso, as tecnologias de auto-atendimento devem evoluir e as agências serem mantidas como pontos de consultoria, relacionamento e oferta de serviços diferenciados", prevê Salinas.
José Francisco Alvarez Raya, gerente-geral de infra-estrutura do Banco do Brasil vai além. Ele diz que, de fato, as instituições bancárias criaram uma espécie de barreira para dificultar a chegada do cliente à agência – aqui incluem-se as portas detectoras de metais; funcionários perguntando o que o cliente pretende fazer ali, entre outras práticas.
De volta ao passado, mas na linha do futuro
"A questão é que, embora o auto-atendimento seja realmente mais barato para os bancos, a ida dos clientes às agências era fundamental para a sua fidelização. Com os obstáculos criados, essa fidelidade diminuiu", afirma.
"O objetivo das novas tecnologias desenvolvidas pelo Banco do Brasil junto a parceiros é exatamente proporcionar ao cliente a possibilidade de interagir com o seu gerente, por exemplo, saber quem ele é sem, no entanto, precisar ir até a agência", detalha. Seria trazer de volta a fidelidade do passado sem necessariamente fazer o correntista voltar a freqüentar a agência.
Sobre as tecnologias expostas no espaço Tecnologias do Futuro, os executivos do Banco do Brasil garantem que todas elas são factíveis de serem implementadas já. "O que precisamos é entender o que interessa aos clientes para então colocar os produtos em prática", afirma Salinas, lembrando que para isso haverá, evidentemente, um período de implementação.
Glória Guimarães, diretora de tecnologia do Banco do Brasil, afirma que, a exemplo do que ocorreu no lançamento do iPhone, quando a instituição imediatamente lançou uma solução específica para o aparelho da Apple, também a tecnologia da TV Digital está pronta, apenas aguardando a aprovação do padrão Ginga.
"Aqui no espaço estamos testando a receptividade do cliente com relação à TV digital", afirma. Da mesma forma, o banco espera uma definição de padrão de biometria para iniciar o seu uso em projetos piloto. "Este é um tema que já vem sendo debatido pela Febraban", indica a diretora de Tecnologia do BB.
Tudo leva a crer que já no ano que vem algumas dessas novas tecnologias estarão em uso pelo Banco do Brasil. A tecnologia de RFID - de radiofreqüência - já é utilizada pela instituição para a realização de inventário de patrimônio, como equipamentos de informática."Em 2009 devemos ter um piloto e, ainda no segundo semestre começar a ver a tecnologia RFID no cartão dos clientes para identificá-lo quando ele chega em uma agência", exemplifica Raya.
No caso da TV Digital, acrescenta Glória Guimarães, tão logo o Ginga venha a ser aprovado, o sistema entrará em funcionamento. "Temos um excelente CRM e um mapeamento dos tipos de cliente em cada região. Estamos prontos para colocar tudo em funcionamento", garante a executiva.
Salinas afirma que o Banco do Brasil destina anualmente R$ 1,2 bilhão à área de TI. E que o primeiro foco será o investimento na evolução dos ATMs. "Eles precisam receber novas funcionalidades", alerta.
Entre elas, por exemplo, o recebimento de contas em atraso (coisa que atualmente só pode ser feita no caixa da instituição emissora do boleto). "Hoje 30% das pessoas que vão até a boca do caixa o fazem para pagar boletos em atraso", completa o gerente de infra-estrutura do BB, José Franciso Raya.
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