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Telefônica: dial-up não é o único "plano B" contra "apagões"

:: Luiz Queiroz
:: Convergência Digital :: 13/08/2008

O diretor Executivo do Segmento Empresas da Telefônica, Vladimir Barbieri, procurou a reportagem do portal Convergência Digital  para esclarecer as declarações fornecidas por ele ao Comitê Gestor da Internet do Brasil, em reunião realizada na última sexta-feira, 08/08, para explicar o "apagão" na rede IP/MPLS, que deixou milhares de paulistas sem acesso à Internet por mais de 36 horas nos dias 02 e 03 de julho.

Na ocasião, o executivo disse aos integrantes do CGI.br que entre as opções de contingência, backup, ou "Plano B" da concessionária para, eventualmente, enfrentar outro "apagão" na Internet, o acesso discado seria a única ou a melhor solução para enfrentar o problema. Vladimir Barbieri procurou o portal Convergência Digital por entender que as suas declarações foram tiradas num contexto errado, especialmente, com relação às possíveis alternativas que as empresas teriam para enfrentar novos "apagões"- questão levantada por membros do CGI.br.

O Convergência Digital, em nome das regras básicas do Jornalismo, prontamente se colocou à disposição do executivo - cujo nome em nenhum momento foi revelado pelo portal nas matérias anteriores em função de a direção editorial acreditar que a preservação do nome do funcionário da Telefônica era necessária e não impactava a informação fornecida ao leitor - para que ele pudesse expor a sua posição.

Barbieri explicou que ao ser indagado pelos membros do CGI.br sobre qual seria o "Plano B" da concessionária apenas citou alguns exemplos de alternativas já disponíveis para os clientes corportivos na companhia, como forma de resguardar e manter a sua Internet em funcionamento no caso de uma nova degradação ou queda efetiva da rede principal, ou seja: Há, sim, diversos modos e serviços de backup.

No caso do "acesso discado" (conexão dial-up) - enfatizado como uma "alternativa segura"  para um eventual backup - Barbieri esclareceu que apenas o citou como um exemplo. Isso porque este é um tema que já foi conversado com uma instituição financeira, vítima dos efeitos negativos do "apagão" na Internet, que durou 36 horas em julho, no Estado de São Paulo. "É uma alternativa segura, assim como, o ADSL e o Frame Relay também o são " disse Vladimir, ao citar outros exemplos de redes de transmissões de dados ofertadas pela Telefônica e que podem vir a ser usadas num serviço de backup.

O problema foi que Barbieri, na conversa com o Comitê Gestor, ao citar a conexão dial-up como uma possibilidade para órgãos públicos e privados terem uma alternativa diferenciada de rede de conexão com a Internet, de tal forma que a população não ficasse prejudicada e sem acesso aos serviços básicos, transpareceu - posição que desagradou bastante aos integrantes do CGI.br - que a Telefônica cogitaria tão somente o uso do acesso discado como forma de atendimento aos seus  principais clientes corporativos. Essa opção foi considerada como um retrocesso diante da evolução tecnológica.

Vladimir Barbieri enfatizou ao Convergência Digital que apenas exemplificou alguns serviços alternativos que podem ser adotados no caso de eventual falha na rede central de banda larga Internet e falou do acesso discado. Ele destacou, no entanto, que tais alternativas dependem do interesse do cliente em ter um serviço de backup nas suas operações. Essa prática precisa ser definida nos contratos fechados com as prestadoras do serviço.

Fato é que muitas instituições financeiras, corporações e empresas públicas não utilizam essa prática contratual. Desta forma contratam um único meio e, no caso de uma crise como a que aconteceu com a Telefônica, ficam sem acesso ao serviço.  Por questões editoriais, o Convergência Digital, mesmo tendo acesso aos nomes de empresas que não utilizam a prática de buscar uma redundância para os seus contratos, prefere não divulgá-los.

A direção do Portal entende que este é um problema empresarial e que, depois do ocorrido com a rede da Telefônica, em especial, com relação às empresas públicas, o momento é o dos seus gestores repensarem suas estratégias na área. A falta de previsibilidade às crises por parte dos clientes, no entanto, não é usada pela Telefônica para justificar a sua falha.

Barbieri reiterou ao Portal Convergência Digital que a concessionária assume integral responsabilidade pelo "apagão", ocasionado em função dos problemas técnicos enfrentados na rede IP/MPLS, que aos poucos foi sendo paralisada pelos técnicos da companhia para que se pudesse encontrar onde estava a causa. 

Identificou-se a falha num roteador localizado em Sorocaba, no interior paulista. Foi constatada uma anomalia rara que pode voltar a acontecer em qualquer prestadora de serviços de banda larga, fato que provocou preocupação no CGI.br. Por fim, o diretor Executivo do Segmento Empresas da Telefônica, Vladimir Barbieri, reafirmou que a responsabilidade pela falha do roteador é da Telefônica.

Ele não revelou se irá ou não solicitar algum tipo de ressarcimento do fornecedor, em função do prejuízo que a concessionária está assumindo perante aos seus clientes - apenas no caso do Speedy, segundo dados do balanço financeiro do segundo trimestre, o custo ficou em R$ 24 milhões.

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