Como serão as empresas daqui a dez anos, quando a geração que cresce num mundo digital estiver ocupando cargos de decisão nas organizações? Foi esse o exercício proposto por Ione de Almeida Coco, vice-presidente do Programa Executivo do Gartner Group para a América Latina, durante sua apresentação no Festival de Tecnologia de Petrópolis, nesta terça (5/08).
A executiva se baseou numa pesquisa recém-divulgada pelo grupo, que revela um cenário possível num mundo governado pelos "nativos digitais", que são no estudo do Gartner, jovens que convivem desde muito cedo com a tecnologia, já estão no mercado de trabalho e têm conceitos distintos daqueles que nortearam as gerações anteriores.
Em 2018, as estruturas empresariais não serão as mesmas, sentenciou Ione Coco. As corporações terão de mudar, abandonando suas estruturas lineares por estruturas interativas. Em vez da padronização, a customização para atender as exigências dos clientes.
E a fusão cada vez maior entre o mundo real e o virtual, com redes de relacionamento, novas interfaces, utilização de visão, audição, toque, reconhecimento de vozes e gestos. Reputações manchadas no mundo virtual poderão gerar prejuízos imensos no mundo real. Os "nativos digitais" terão um estilo gerencial diferente.
Eles aceitarão a liderança e a coerência, em vez da imposição, valorizando a comunicação horizontal e trabalhando em regime de colaboração – e não necessariamente de forma presencial. "Cada vez mais, as pessoas vão ser responsabilizadas por coisas que não controlam, que lideram à distância", previu a vice-presidente do programa executivo do Gartner para a AL.
Nessa metamorfose, disse ela, o esforço de padronização nas empresas cai por terra. As organizações serão pressionadas a aceitar, por exemplo, que os funcionários levem para o ambiente de trabalho seus computadores pessoais, configurados conforme suas necessidades e afinidades.
Esses são cenários possíveis. Em alguns setores, até prováveis, completou Ione Cocco. Em outros, naturalmente, a transição tende a ser mais lenta. "No setor de manufatura, por exemplo, é claro que não se pode esperar que isso aconteça no mesmo tempo. Há processos que têm peculiaridades. Mas é o caminho que se apresenta", ressaltou a executiva.
"Hoje as pessoas já votam usando computador, fazem a declaração de renda usando o computador... isso mostra que existe a capacidade, falta garantir o acesso", concluiu a executiva do Gartner. A palestra de Ione Coco é mais uma a reforçar a tese do MCT que cobrou "musculatura" dos projetos das empresas nacionais e conclamou uma ousadia maior na parte ligada à inovação do segmento privado - sempre à espera de uma ação governamental.