IBGE inova e reduz custo ao usar PDAs, com Windows Mobile e GPS
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:: 09/06/2008
Apostar na inovação não é tarefa simples. Requer audácia, especialmente, quando se lida com Tecnologia. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reconheceu as dificuldades, mas decidiu seguir rumo à evolução. Em abril deste ano, pela primeira vez na história do órgão governamental, 82 mil recenseadores trocaram as centenas de questionários de papel por um PDA, equipado com um sistema de GPS, para realizar o Censo Agropecuário e a Contagem da População. Para suportar a operação, a escolha ficou com a plataforma Microsoft. Os benefícios da solução que o IBGE desenvolveu e implementou em menos de um ano vão além da praticidade proporcionada pela tecnologia móvel. Com os PDAs, os pesquisadores, facilmente, podem corrigir uma informação anotada de forma incorreta – ao invés de precisar fazer rasuras ou confusões nas anotações, por exemplo. Outro fator de otimização do trabalho é a detecção automática de dados inconsistentes no momento da inserção. Com os questionários de papel, muitas vezes era preciso voltar ao local da pesquisa para validar uma informação incorreta. Na transmissão, um ganho de eficiência: todos os dados inseridos no PDA são transferidos diretamente para o banco de dados do IBGE pondo fim à necessidade de digitação ou escaneamento das informações. O CIO do IBGE, Luiz Fernando Mariano, conta que a idéia de utilizar dispositivos móveis era um desejo antigo da instituição governamental. Do sonho à realidade Tanto que, em 2005, houve o desenvolvimento de um trabalho para fazer o Centro Agropecuário em handhelds, mas, completa o CIO, não houve condições nem conhecimento para levar a iniciativa adiante. O projeto, no entanto, amadureceu. Tanto é assim que foi tomada a decisão de pesquisar ações capazes de tornar a coleta e a consolidação de dados mais ágeis, eficientes e econômicas, evitando o retrabalho e, ao mesmo tempo, aumentando o nível de segurança e qualidade das informações. O prazo para a realização deste estudo foi pequeno - 10 meses. Neste período foi necessário, lembra o CIO do IBGE, estabelecer todas as especificações, licitações, contratações, compras de produtos e, é claro, o completo desenvolvimento da solução e as sessões de treinamento de pessoal. Foi em meio a esse processo que o IBGE tomou conhecimento de que a plataforma Microsoft estava sendo utilizada por alguns órgãos dos governos dos Estados Unidos e da Colômbia. A Microsoft foi procurada e, em parceria com a Allen Informática, apresentou uma solução baseada em Pocket PC rodando o Microsoft Windows Mobile 5.0. O recebimento dos dados e a centralização das informações ficavam a cargo do Microsoft SQL Server Enterprise 2005. Apostar na inovação era uma certeza dentro do IBGE, mas havia questões preocupantes como a falta de tempo para realizar um teste mais aprofundado com a aplicação, além da ausência de conhecimento prévio da tecnologia móvel e dos problemas relativos à qualidade da infra-estrutura de comunicação disponível no país. "Em termos de dimensão, o Brasil é praticamente um continente. Temos muitos problemas de comunicação", diz Luiz Fernando Mariano. As aflições, no entanto, foram postas de lado, diante da possibilidade de construir um "novo mundo" para o dia-a-dia da instituição. Comunhão de forças O trabalho foi intenso. Tanto que envolveu cerca de 30 pessoas. Delas, praticamente metade fazia parte da equipe do IBGE. Também participaram profissionais da Allen Informática e da SightGPS, empresa escolhida para fornecer os PDAs. Foram adquiridos 82 mil Pocket PCs, 82 mil licenças de Windows Mobile 5.0 e SQL Server Mobile e, para recebimento das informações, o sistema de banco de dados Microsoft SQL Server Enterprise 2005, rodando em servidores equipados com Microsoft Windows Server 2003 R2 Enterprise e Standard. Os equipamentos foram preparados para receber as informações da Contagem da População (sexo, idade e migração das pessoas entre os estados brasileiros), que deve pesquisar cerca de 30 milhões de domicílios, e do Censo Agropecuário, que exige a passagem por 5,7 milhões de estabelecimentos. Para a SightGPS, o desafio foi fornecer, em tempo hábil, um produto resistente e que tivesse funcionalidades de PDA e GPS integradas. Para tanto, ela fechou uma parceria com a Mitac, empresa taiwanesa que recentemente havia desenvolvido a solução integrada. Para adequar a solução à realidade brasileira, a SightGPS criou uma capa de proteção para melhorar o desempenho dos PDAs quando usados em campo. O diretor-presidente da SightGPS, Jader Leite, estima que dos 82 mil aparelhos comprados, pelo menos, 40 mil poderiam apresentar falhas, sem o uso da capa protetora. Os resultados apurados nos dois primeiros meses de operação em campo foram significativos. O nível de problemas com os aparelhos é baixíssimo. "Essa é a maior prova de que a capa protetora ajudou o IBGE a adotar um PDA mais barato, que custa cerca de R$ 2 mil, para uma finalidade que aparentemente exigiria um PDA robusto, de cerca de R$ 10 mil", conclui Leite. "Optamos por essa solução porque precisávamos de eficiência com rapidez", complementa o CIO do IBGE. Paralelamente o IBGE equipou 532 agências permanentes, cerca de 574 postos de atendimento e milhares de órgãos públicos com computadores e acesso à Internet em banda larga via satélite e ADSL(rede de cobre das operadoras), somados a mais de 4,4 mil locais de coleta não informatizados. "Quando o recenseador chega a um desses locais, basta descarregar as informações do PDA via Bluetooth. Tudo vai direto para o nosso centro de processamento, no Rio de Janeiro", observa Mariano. Agilidade e segurança Com 30 anos de IBGE, o CIO conta que já realizou Censo perfurando cartão. "Ao longo dos anos, todos os processos evoluíram, mas a vida do pesquisador em campo continuava submetida ao uso do papel". De acordo com Mariano, mesmo aprimorando o desenvolvimento dos sistemas, do processamento central e do hardware em geral, era difícil melhorar a coleta de dados. O transporte dos questionários era outro obstáculo a ser superado. Imagine, por exemplo, ter de fazer a pesquisa na Região Norte do país, em lugares em que se navega 17 dias pelo Rio Amazonas para chegar. Até pouco tempo essa era uma situação real. "Depois de levar os questionários ate lá, era preciso trazer tudo de volta, para uma unidade do IBGE na qual o papel era dividido em pastas de acordo com os municípios", lembra Mariano. Antes de 2000, todos os dados eram transcritos, um trabalho que durava sete meses, além de provavelmente incorrer em erros de interpretação e digitação. "No Censo de 2000 tivemos um avanço extraordinário, porque passamos a escanear tudo em cinco centros, funcionando 24 horas por dia, durante cerca de 100 dias", recorda o gestor de tecnologia do IBGE. Agora com os PDAs, basta chegar a um dos locais informatizados e enviar as informações. Todo o trabalho – desde a coleta dos dados até o conhecimento dos resultados – deve levar em torno de quatro meses. O prazo para coleta de dados é 31 de julho. O resultado deve sair em seguida. A confiabilidade das informações também é ressaltada como um ponto de destaque na iniciativa.."Não estamos apenas tirando o papel das mãos dos pesquisadores, mas oferecendo a eles um processo de crítica que roda durante a entrevista", completa Mariano. Na ponta do lápis No total, R$ 115 milhões foram investidos nas inovações tecnológicas. Deles, R$ 88 milhões foram destinados para a compra dos aparelhos. Os valores podem ser altos, mas a mobilidade traz uma economia, segundo contas do próprio IBGE. "Usar papel é caríssimo. Não só pelo valor da matéria prima, mas também pelo custo de distribuição, armazenamento e transporte de informações para o meio digital", explica Mariano. Os gastos com pessoal também são altos. "Mão-de-obra é o mais caro no censo. E quanto mais tempo você tiver a operação em campo, mais custo terá", complementa o CIO. A operação que o IBGE colocou nas ruas é basicamente um 'três-em-um'. O Censo Agropecuário deve percorrer 5.564 municípios. A expectativa é realizar o Censo de 2010 com cerca de 300 mil PDAs. Depois da contagem populacional nos municípios menores e o Censo Agropecuário, faltarão 129 municípios, que são os grandes conglomerados humanos. "Até lá, já teremos bastante experiência no uso do novo sistema. Será tudo muito mais fácil e rápido", finaliza Mariano.
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