08/12/2020 às 18:40
Telecom


Fabio Faria reúne teles e diz que Bolsonaro e Minicom decidem sobre 5G
Luís Osvaldo Grossmann

Um dia depois do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, voltar a dizer que é contra o bloqueio da chinesa Huawei do 5G no Brasil, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, reuniu as principais operadoras móveis do país, que fizeram um manifesto no mesmo sentido no final de novembro, para dizer que o presidente Jair Bolsonaro e a pasta vão decidir sobre o 5G.

“Recebi as empresas de telecomunicações, Oi, Claro, Tim, Vivo, Algar. Fizemos uma reunião muito profícua, uma reunião longa onde ouvimos as preocupações deles e eles ouviram nossas preocupações. Resolvi fazer essa reunião exatamente porque tem saído muitas matérias especulativas na imprensa, muita gente falando muito sobre o tema, muitas notícias desinformadas, notícias inverídicas”, afirmou Faria após o encontro. 

“Nós resolvemos, fiz uma reunião com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e esse tema do 5G, que é um tema altamente relevante para o país, onde nós teremos um novo Brasil após o 5G, iremos tratar esse tema no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Esse será o fluxo desse assunto. A reunião com as teles foi boa e esse assunto ficará para o ano que vem, nós iremos fazer o leilão e todos nós estamos trabalhando juntos nesse assunto”, emendou o ministro. 

Em 27/11, por meio de nota da Conexis Brasil Digital, o sindicato nacional das operadoras, o mercado reclamou que “eventuais restrições implicarão potenciais desequilíbrios de custos e atrasos ao processo, afetando diretamente a população. Questões como preço, escala mundial e inovações tecnológicas dos fornecedores hoje presentes no país são determinantes para que as melhores soluções e custos competitivos do serviço possam ser oferecidos pelas operadoras aos cidadãos”.

Nesta segunda-feira, 7/12, ao participar de uma reunião na Associação Comercial de São Paulo, o vice- presidente, Hamilton Mourão, voltou avaliar a questão buscando fugir do tom ideológico. “A disputa comercial e tecnológica entre Estados Unidos e China começa a ter cada vez mais um diapasão maior. Isso é dado do problema e todos nós que temos atividades nas áreas ligadas à economia temos que estar atentos para essa disputa.” 

Ao lembrar que o leilão do 5G trata da venda de frequências, o vice-presidente apontou que a China é uma das principais fornecedoras de infraestrutura de telecomunicações. E destacou que impedir que a Huawei se mantenha como fornecedora no Brasil vai pesar no bolso dos brasileiros. 

“Na minha visão, e vejo que essa visão começa a tomar forma no governo é, toda empresa que comprovar que está dentro do seguinte tripé: respeito a nossa soberania, respeito à privacidade dos dados que são transmitidos ali, e economicidade, poderá ser contratada para a infraestrutura. Hoje em relação à empresa chinesa Huawei, 40% da infraestrutura que temos hoje de 3G e 4G é dela. Então se por acaso houvesse dizer, ‘a Huawei não pode fornecer equipamento’, vai custar muito mais caro. Porque vai ter que desmantelar tudo que tem aqui, porque ela não fala com os equipamentos das outras. E quem é que vai pagar essa conta? Somos nós consumidores.”

Questionado sobre as declarações de Mourão, Fabio Faria pareceu defender que o vice-presidente se atenha à missão relativa à Amazônia. “O vice-presidente Mourão tem as prerrogativas de poder falar sobre qualquer assunto. A liberdade de expressão, ele é vice-presidente da República. Mas como disse esse é um assunto que será tratado aqui no Ministério das Comunicações. Eu até hoje nunca recebi um pedido de audiência ou de convidar para eu ir lá falar com o vice-presidente sobre esse tema. Esse tema será tratado sobre mim e o Presidente da República. Até porque o vice-presidente Mourão está com o Conselho da Amazônia, que demanda muita atenção e muito trabalho. Então acho que ele não vai ter tempo também para ficar tratando do tema do 5G, que está sendo tratado aqui pelo Ministério.”


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