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Ganho de US$ 163 bilhões no Brasil enfraquece lobby das teles para reduzir Wi-Fi 6 em 6GHz

Luís Osvaldo Grossmann ... 27/10/2020 ... Convergência Digital

Enquanto operadoras móveis e fabricantes de equipamentos de rede seguem firme no lobby para reduzir a fatia disponível de espectro para o W-iFi 6 na faixa de 6GHz - há o interesse de ficar com uma 'reserva' de 500 MHz para uso futuro no 5G - estudos apresentados nesta terça, 27/10, em debate promovido pela Anatel reforçam que a ideia carece de fundamento econômico, sem falar no uso prático. 

“Se o Brasil mantiver a posição que está sendo considerada pela Anatel e alocar [como não licenciada] toda a faixa de 6 GHz, todos os 1200 MHz, isso cria um valor econômico total capaz de gerar US$ 163,36 bilhões entre 2020 a 2030”, afirmou o economista e consultor, presidente da Telecom Advisory Services, Raul Katz. 

O valor equivale a R$ 925 bilhões, sendo a maior parte dele, US$ 112,14 bilhões (R$ 635 bilhões) em potencial aumento do PIB no período, como consequência da ampliação da cobertura, preços mais acessíveis, maiores velocidades, desenvolvimento mais acelerado da internet das coisas, e no suporte aos mercados de realidade aumentada e realidade virtual.

Além disso, outros US$ 30,3 bilhões (R$ 170 bilhões) poderão ser gerados em economia no custo do tráfego para empreendimentos, além de US$ 21,19 bilhões (R$ 120 bilhões) na propensão dos consumidores a pagarem mais por velocidades ainda maiores. 

Sem surpresas, nada disso reduziu o ímpeto com que a operadora móvel presente ao debate, a TIM, insistiu em que o Wi-Fi 6 deve ficar somente com 500 MHz da faixa de 6 GHz, com o restante reservado para um futuro que, quem sabe, mostrará que esse naco tem grande utilidade para as próprias operadoras móveis. 

“A banda de 6 GHz tem 1200 MHz. Defendemos uma posição de alocar uma parte para WiFi 6, 500 MHz na parte baixa dos 1200 MHz como não licenciada. E o restante fica para ser destinado após a conferência mundial WRC de 2023, em prol de uma alocação global de espectro. Se a WRC vier a decidir que parte dessa banda é para 5G, quem sabe até 6G, a decis!ao do Brasil agora poderá ser irreversível”, defendeu o diretor de desenvolvimento de redes da TIM,  Marco Di Constanzo. A Huawei, que não estava no debate mas mandou contribuição, foi na mesma linha de que “uma vez que se a banda ficar toda destinada a uso não-licenciado o Brasil poderá ficar fora do novo core para 5G e até 6G no futuro”. 

Mas o peso dos argumentos pendeu para a destinação dos 1200 MHz em 6GHz para o Wi-Fi. E não apenas por conta dos mensurados efeitos econômicos, mas especialmente porque se trata de um uso que pode ser imediato – e que atende uma necessidade já existente.  “Temos necessidade enorme de mais espectro para WiFi do que tem hoje, as faixas de 2,4 e 5Gh já se encontram congestionadas, e isso não apenas nos grandes centros. E se percebe que os roteadores WiFi já encontram limitações para transmitir banda larga hoje. Se põe 150 Mbps tem limitações nessa entrega”, destacou o presidente da Associação Neo, Alex Jucius. 

Como emendou a diretora de Políticas de Conectividade e Acesso do Facebook, Ana Luiza Valadares, “o WiFi 6 pode ser usufruído imediatamente, já existe em outros mercados, está nos smartphones e, enfim, permite que no mesmo local sejam conectados um número enorme de dispositivos. O mundo caminha para isso, até porque os leilões de 5G estão acontecendo com muito sucesso. Já o WiFi está parado há muito tempo no que concerne a novas disponibilidades de espectro”. 

A demanda imediata versus um futuro ainda potencial foi ressaltado pelo também economista e pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), William Lehr. “A proposta de investimento em cobertura universal para o 5G móvel não é forte no momento. Porque no momento o que se sabe é do uso para entretenimento, filmes em smartphones, etc. Se não chegar ao ‘Smart-tal’, ou seja, rodovias inteligentes, sistemas de energia inteligentes, fábricas inteligentes, todas essas coisas, vamos acabar nos perguntando para que fazer. Porque o ‘case’ de negócios, as aplicações matadoras, que realmente requerem isso [5G] ainda não são coisas provadas. Sou otimista, mas se fosse para colocar meu dinheiro, eu não iria atrás de colocar 5G em toda parte. Melhor esse sistema que é muito mais flexível.”


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