08/06/2020 às 18:03
Inovação


Política de informática foi feita para o hardware, mas deu certo com o software
Ana Paula Lobo e Luís Osvaldo Grossmann

Ter estratégias, planos, políticas, faz diferença. Segundo o cientista e professor Sílvio Meira, o país tem uma estratégia de inteligência artificial, mas não sabe bem para quê. Falta o desafio colocado à produção nacional. “Foi isso que montou a indústria brasileira de informática, um desafio, com estratégias e políticas”, apontou ao participar do CD Em Pauta. 

“Uma estratégia é uma coisa muito complexa, profunda e que precisa de mais recursos, que nem são necessariamente do governo. Mas o papel do Estado é fundamental em estabelecer qual é o desafio e articular a expressão nacional desse desafio. Para aí os atores privados dizerem ok, se a gente for por aqui o Estado pelo menos não vai atrapalhar e talvez até ajude.”

Foi o que aconteceu, acredita, com a política de informática no Brasil. Embora com ideal na substituição de importações, acabou disseminando cultura e conhecimento que fomentaram a produção brasileira de software. “Do ponto de vista de efeitos colaterais na capacidade brasileira de fazer pesquisa em tecnologia da informação e criar startups, a política de informática deu certo.”

“O efeito não foi o pretendido. A gente nunca teve um computador ou smartphone brasileiro competitivo globalmente. Mas a gente tem software, empresas de software, empresas digitais brasileiras que são competitivas globalmente e que fazem um megamercado no Brasil. Descobrimos no meio do caminho que a escadaria de produzir chips, computadores, sistemas de átomos era centenas de bilhões de dólares mais altas que o Brasil poderia juntar. Mas tinha outra escadaria que a gente poderia subir, de software, de sistemas digitais, de ‘no softwares’, software como serviço, plataformas”, pontua Silvio Meira. Assistam a exposição dele sobre estratégia para TIC.


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