OPINIÃO

Open Banking: uma mudança que está vindo para valer

Por Marisa Albuquerque*
13/02/2020 ... Convergência Digital

O tema Open Banking voltou a circular nos noticiários e entre executivos do setor financeiro. O motivo é que no último, 31 de janeiro, encerrou o período de consulta pública estabelecida pelo Banco Central. Na prática, o sistema caracteriza a obrigatoriedade de uma nova plataforma de relacionamento sem conexão com o Internet Banking.

Isso dará aos clientes total autonomia dos dados pertinentes às suas movimentações financeiras. Assim, o histórico dessas transações estará sob posse dos clientes e não mais dos bancos, como ocorre atualmente, e esses clientes autorizarão se querem e o que querem compartilhar com o mercado, seja redes varejistas, empresas de análises de créditos e parceiros de uma forma geral.

Considero isso uma revolução gigante para o mercado financeiro que terá papel fundamental na geração de novos negócios. É o início de um ecossistema inteligente que interligará digitalmente instituições financeiras, clientes e empresas com o objetivo de promover insights para o desenvolvimento de produtos e serviços mais assertivos.  O conceito ainda abrirá um leque de possibilidades para que novos negócios integrem o setor com custos menores para os consumidores. Essa movimentação exigirá que os grandes bancos se reinventem para não perder mercado para fintechs e bancos digitais.

Conforme determinação do banco Central, no Brasil, a implantação do modelo de Open Banking  será feita em quatro etapas, descrita a seguir:

1.Compartilhamento de dados de produtos e serviços oferecidos pelas instituições financeiras:  as instituições participantes do Open Banking deverão compartilhar informações sobre canais de acesso e as características de seus produtos e serviços relacionados a contas de depósitos ou de pagamentos, bem como de operações de crédito, a exemplo de seus preços e público-alvo. Dessa forma, uma instituição pode agregar essas informações e prestar um serviço de assessoramento para o consumidor de produtos e serviços financeiros;

2.Dados cadastrais e de transações de clientes: mediante prévio consentimento do cliente, a instituição financeira compartilhará os dados de cadastro e de suas transações relacionadas a contas de depósitos e de pagamentos, bem como de operações de crédito;

3.Serviços: nessa etapa, será viabilizado, mediante prévio consentimento do cliente, os serviços de encaminhamento de proposta de operação de crédito, por meio de correspondentes no País, e de inicialização de pagamentos. Esse último permitirá a instrução de transação de pagamento, a pedido do cliente, relativamente a uma conta de depósitos ou de pagamento, por meio de instituição que não necessariamente participará da liquidação financeira da transação;

4.Outros dados: nessa fase, também, serão compartilhados dados de outros produtos e serviços, tais como investimentos e seguros.

Eu estou bastante entusiasmada com as últimas movimentações do setor financeiro. Enxergo nele a mudança para avançar o País nos pilares de inovação e crescimento econômico que nos deixam tão aquém dos países desenvolvidos. No entanto, para que esses avanços não travem é necessário que seja criado um ecossistema que suporte as movimentações que serão demandadas pelo modelo Open Banking neste novo direcionamento de relacionamento entre clientes e instituições financeiras.

Dentro deste ecossistema de Open Banking faz-se necessário o desenvolvimento de uma plataforma aberta de disponibilização de API´s ou apps que deve ser regido com a maior segurança de dados possível de forma a evitar ataques cibernéticos ou fraude em dados. As soluções de Open Banking estão sendo projetadas como um portal único de relacionamento com clientes, parceiros e empresas que irão centralizar as informações cadastrais bem como monitorar as transações, monetizar os serviços e realizar os faturamentos.

Para as empresas que aderirem ao sistema, o desafio será comprovar a segurança por trás das operações dentro do Open Banking, buscando soluções integradas que façam o ciclo completo com todos os negócios. Tecnologias com proposta de ecossistemas de relacionamento B2B e B2C, no formato de Services Delivery otimização o funcionamento do Open Banking dentro das instituições. Como acompanho essa discussão já algum tempo, desde quando o Banco Central divulgou lá atrás a intenção de tirar o Open Banking do papel, desenhei um projeto que une exatamente essas características.

Como tudo ainda é novo e a projeção é que o sistema já entre no segundo semestre de 2020, é importante que o mercado já se movimente para entender as exigências de tal implantação e desenvolva seu ecossistema.  As empresas que conhecerem as tecnologias que otimizarão o Open Banking - uma movimentação que prevê o surgimento de mais de 700 fintechs - com certeza terão maior poder competitivo e estarão à frente do mercado.

Marisa Albuquerque é Vice-presidente da Fábrica de Softwares e Inovação da Globalweb

















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