Teles e TVs terão solução conjunta para impacto do 5G nas parabólicas, mas EAD ainda é dúvida

Luís Osvaldo Grossmann ... 29/01/2020 ... Convergência Digital

Operadoras móveis e emissoras de televisão anunciaram nesta quinta, 29/1, um avanço significativo na costura para a implantação do 5G no Brasil, acenando com uma solução conjunta para os problemas de interferência que o uso da faixa de 3,5 GHz pelos celulares provoca nas antenas parabólicas. Em essência, as TVs aceitam a mitigação por meio de filtros (LNBF) nas antenas e pela adoção de uma banda de guarda de 100 MHz. 

“Considerando os últimos resultados apresentados pelo CPqD, decorrentes da utilização de novos modelos de filtros LNBFs e de uma banda de guarda de 100MHz na faixa de 3,7 GHz a 3,8 GHz, as signatárias compreendem que se torna possível a adoção de uma solução técnica de mitigação de eventuais interferências, mantendo a TVRO na Banda C”, diz nota assinada pela Abratel, Abert e pelo Sinditelebrasil. 

Em números, significa adotar uma mitigação mais próxima dos R$ 500 milhões do que dos R$ 8 bilhões com a migração das TVs para a banda Ku, como queriam as teles. O que vale como contrapartida ao aceno da radiodifusão, no entanto, ainda está pendente. As emissoras de televisão querem manter em atividade a EAD, Empresa Administradora da Digitalização, também batizada ‘Seja Digital’, empresa criada pelas teles móveis para servir de braço operacional da migração da TV no Brasil, que envolveu a ‘limpeza’ da faixa de 700 MHz, e da mitigação dos problemas a ela relacionados. 

“Esse impasse ainda não foi solucionado, mas há uma predisposição das teles de avaliar e a composição passa por aí. Na questão do 5G, as emissoras de TV reconhecem os bons resultados com utilização dos novos LNBFs nos testes em laboratório. Eles melhoraram bastante e poderão ajudar a resolver, juntamente com a banda de guarda. Agora vamos aos testes de campo. Enquanto isso vamos criar dois grupos, um jurídico, um técnico, para analisar demais questões de mitigação do 5G, bem como o uso do saldo [do leilão 4G] e a EAD”, explica o engenheiro da Abratel Wender Souza. 

O avanço na negociação já foi devidamente comunicado à Anatel e ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. A intenção de teles e TVs é que esses dois grupos de trabalho avancem na construção da proposta conjunta de forma que ela possa ser formalizada durante a consulta pública do edital do 5G, ainda na dependência de superação de outro tipo de impasse na agência reguladora. Até lá, como ressaltado na própria nota divulgada nesta quinta, espera-se que os testes de campo confirmem o bom desempenho dos filtros. 

Em que pese serem temas distintos – 4G e 5G – uma solução acordada é o objetivo de ambos os lados. As teles preferem ver a EAD, criada pelas vencedoras do leilão 4G de 2014, Vivo, Claro, Tim e Algar, extinta com o fim das obrigações associadas àquele edital. As TVs sustentam que o projeto para uso do saldo remanescente dessas obrigações, coisa de R$ 1,2 bilhão, é uma continuidade do mesmo trabalho, visto tratar de garantir transmissão e recepção dos sinais digitais de televisão em municípios ainda analógicos. 

Eis a nota conjunta: 

"A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT, a Associação Brasileira de Rádio e Televisão – ABRATEL e o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal – SINDITELEBRASIL, informam que realizaram uma série de reuniões com a finalidade de discutir propostas de soluções que permitam a convivência entre os serviços de TV aberta por satélite (TVRO) e de banda larga de quinta geração (5G).

Considerando os últimos resultados apresentados pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento - CPqD, decorrentes da utilização de novos modelos de filtros LNBFs e de uma banda de guarda de 100MHz na faixa de 3,7 GHz a 3,8 GHz, as signatárias compreendem que se torna possível a adoção de uma solução técnica de mitigação de eventuais interferências, mantendo a TVRO na Banda C, ressaltando ainda que nos próximos meses serão realizados testes complementares de campo pelo CPqD que poderão confirmar os resultados obtidos até o momento.

Ao reconhecerem a relevância da TVRO e do 5G para a sociedade brasileira, as signatárias estabelecerão nos próximos dias um cronograma de trabalho que permita a apresentação tempestiva de uma proposta conjunta ao Poder Público, mais especificamente ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - MCTIC e à Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel."

 


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