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Fiat Chrysler pode replicar modelo de MVNO no Brasil para carro conectado

Ana Paula Lobo - 02/12/2019

Dentro da estratégia de enxergar o carro como uma plataforma móvel, a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) do Brasil - quarta maior empresa do setor de automóveis, atrás da Volkswagen, da aliança Renault-Nissan-Mitsubischi e da Toytota - planeja, para breve, definir o modelo de negócio para o Brasil. "Somos uma empresa global e temos de pensar como é lá fora. Na Europa, contratamos um MVNO. Pode ser que aqui seja assim, ainda estamos definindo qual será o melhor modelo", contou o CIO da FCA para a América Latina, André Souza, em encontro com a imprensa, nesta segunda-feira, 02/12, em São Paulo.

O executivo - que relatou os passos da companhia na jornada da transformação digital - não quis adiantar muitos detalhes da estratégia de carro conectado, mas disse que é preciso pensar sempre no melhor modelo para o consumidor. "O fato que a relação do dono do carro será sempre com a concessionária. Uma infinidade de novos serviços estão por vir", reforçou Souza.

Sobre a melhor forma de conexão, Souza disse que pode ser 3G, 4G, Wi-Fi, e, claro, mais à frente, o 5G."Ser agnóstico é o melhor de tudo. O consumidor quer acessar à Internet, quer ter a conexão. Como ela chega, não é o mais relevante", pontua. Na Europa, a FCA anunciou no mês passado um acordo com a Transatel, uma MVNO francesa, para receber conectividade 4G nos 28 países da União Europeia + EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça). O compromisso também fala na adoção do 5G quando a tecnologia estiver disponível no mercado automotivo.

Com relação à transformação digital, Souza lembra que a indústria automobilística é cobrada, agora, para ser ágil no desenho de um carro, mas que o processo tem de ser muito bem pensado uma vez que um choque desproporcional pode resultar no fracasso da estratégia. Mas o CIO admite que os prazos ficaram bem menores. "Antes tinha produto que levava quatro anos. Agora tem que sair em 24, 18, 12, seis meses. Agilidade é o nome do jogo", observa.

Na FCA, a transformação digital passa pela realização de challanges- ou hackathons internos para mobilizar as áreas de TI e de negócios. A companhia está finalizando a 5ª edição do Challanges e já houve o desenvolvimento de aplicativos funcionais. "Nossa unidade fabril em Betim, Minas Gerais, é uma cidade. E o Challanges nos permitiu em 40 dias fazer um aplicativo para monitorar horários dos ônibus e a mostrar os nossos funcionários como andar na fábrica. Parece uma coisa sem importância, mas nos trouxe um ganho enorme. Os funcionários agora descem na hora certa para pegar os ônibus. Houve aumento de produtividade", diz.

Souza lembra que o Challanges começou na área de TI, mas que foi incorporada a outras áreas de negócios. "Montamos 15 equipes que atuam como startups no desenvolvimento dos seus produtos com a mentoria dos diretores. Mobilizamos toda a empresa para participar e os resultados têm sido fantásticos", completa.

Carro como meio de pagamento

A FCA aproveitou o encontro com a imprensa para anunciar uma parceria com a Visa. Ainda não há nada de concreto, apenas a intenção de ambas as empresas trabalharem juntas para desenvolver solução de pagamento "fluida e segura" e que explore melhores meios de pagamento para os usuários, acompanhando a jornada do cliente.

O head de inovação e conectividade para a América Latina da FCA, Mateus Silveira, ressaltou que o conceito de mobilidade vai além do carro e que a solução deverá contemplar este comportamento e acompanhar o cliente aonde ele for, buscando uma solução independente do veículo. "Vamos acompanhar o consumidor e não o carro."   

Érico Fileno, diretor-executivo de inovação e design da Visa, explicou que a Visa trabalha na desconstrução do plástico, criando alternativas para realizar pagamentos, como por meio de mCommerce, NFC, peer to peer. "São novos formatos e novos meios, então, por que não pensar no carro." Visa e FCA ainda não tem um caso de uso desenhado e os executivos não especificaram um prazo para apresentar modelos a serem testados.

*Colaborou Roberta Prescott

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