OPINIÃO

Mobilidade Elétrica avança e Brasil já discute impacto dos Eletropostos

Por Luiz José Hernandes*
30/09/2019 ... Convergência Digital

O mercado mundial de eletropostos está em franca expansão e deve crescer ainda mais nos próximos anos. De acordo com um relatório da Grand View Research, o tamanho do mercado mundial de infraestrutura de carregamento de veículos elétricos foi avaliado em US$ 8.42 bilhões em 2018 e projeta crescer, em termos de taxa de crescimento anual composta, cerca de 32,6% de 2019 a 2025, o que representará um mercado de US$ 63,9 bilhões.

A crescente adoção e venda de veículos elétricos, juntamente com a promulgação de leis e subsídios para estimular o setor, além do custo decrescente das baterias, são alguns dos principais fatores que impulsionarão o crescimento do mercado. As entregas globais de veículos plug-in atingiram 2,1 milhões de unidades em 2018, 64% acima de 2017, incluindo todas as vendas de carros elétricos e híbridos plug-in, caminhonetes nos Estados Unidos / Canadá e veículos comerciais leves na Europa e na China.

Aqui no Brasil, apesar do ritmo ainda tímido de adoção à tecnologia, um levantamento da CPFL Energia estima que o país precisará de cerca de 80 mil eletropostos públicos até 2030, como forma de acompanhar o ritmo de crescimento do mercado de veículos elétricos nacional. Até lá, a frota nacional de carros elétricos puros e híbridos plug-in deve alcançar 2 millhões de unidades em circulação. Neste sentido, o desenvolvimento de um mercado de recarga pública, combinando eletropostos semi-rápidos e rápidos, é um dos principais desafios para a expansão da mobilidade elétrica no Brasil.

A ANEEL aprovou em maio uma convocação para submissão de projetos de P&D na área de mobilidade elétrica a todas as empresas ligadas ao setor, com o objetivo de apresentar soluções de novos modelos de negócio, equipamentos, tecnologias e também soluções para eletropostos. A estatal recebeu 38 propostas de projetos, com expectativa de investimentos da ordem de R$ 616 milhões. Algumas concessionárias tiveram seus projetos aprovados recentemente.

Uma questão importante neste contexto é que, considerando-se o crescimento significativo previsto, por volta do ano de 2025 / 2030, os eletropostos impactarão na rede de distribuição de energia de forma determinante, em maior e menor intensidade. Carregadores domésticos - que serão a grande maioria e poderão ser utilizados em casa pelos próprios proprietários dos veículos elétricos - dispõem de uma potência de 3,7kVA a 7,4kVA e demoram cerca de 4 a 8 horas para carregar totalmente a bateria de um veículo, mas já um carregador ultra-rápido, capaz de carregar um potente Porsche Taycan em poucos minutos, dispõe de uma potência de 175kW a 350kW.

Carregadores de alta potência estarão disponíveis apenas nos eletropostos públicos, mas terão um impacto significativo na demanda sobre rede. Uma das possibilidades é a recarga inteligente, quando o preço da energia consumida para carregar a bateria de um veículo elétrico pode variar conforme a disponibilidade da rede.  Assim, haverá a necessidade das concessionárias de energia criarem soluções de monitoramento e de medição de energia, como já fazem habitualmente com a energia utilizada pelos consumidores em seus lares, negócios etc.

Luiz José Hernandes é consultor da CAS Tecnologia


Carreira
MP 936: Sindicatos dos trabalhadores e patronal advertem sobre risco de conflito judicial

Os acordos individuais para suspensão do contrato de trabalho ou redução de jornada de trabalho previstos na MP 936 poderão causar mais dor de cabeça para as empresas do que solução para o enfrentamento do período de isolamento provocado pelo coronavirus.



  • Copyright © 2005-2020 Convergência Digital
  • Todos os direitos reservados
  • É proibida a reprodução total ou
    parcial do conteúdo deste site
    sem a autorização dos editores
  • Publique!
  • Convergência Digital
  • Cobertura em vídeo do Convergência Digital
  • Carreira
  • Cloud Computing
  • Internet Móvel 3G 4G