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Compra de smartphone mais caro cresce 247% no 1º tri no Brasil

Da redação - 17/06/2019

Nos primeiros três meses de 2019, o mercado brasileiro de celulares manteve a tendência dos trimestres anteriores, com queda no volume de vendas, mas aumento na receita, aponta o estudo IDC Brazil Mobile Phone Tracker Q1/2019, realizado pela IDC Brasil. Foram vendidos 10,7 milhões de smartphones, o que representa uma queda de 6% em relação ao mesmo período em 2018, movimentando R$ 13,7 milhões (R$13.680.170,00) – 8% a mais do que há um ano.

De acordo com Renato Meireles, analista de mercado de Mobile Phones & Devices da IDC Brasil, a retração nas vendas foi menor ao que era projetado para o período no final do ano passado – a previsão era de uma redução de 11%. A chegada de novos produtos ao mercado é uma das razões para esse resultado menos negativo, enquanto o aumento do ticket médio e da demanda por aparelhos com especificações mais robustas explica o crescimento da receita.

“Em nível global, o mercado apresenta retração tanto em volume como em receita. No primeiro trimestre, foram vendidas 312 milhões de unidades, 5,9% menos do que em 2018, e a receita foi de US$105 bilhões, 12,1% menor. O comportamento do mercado brasileiro, no entanto, se diferencia pelo aumento da receita, apesar da redução no volume”, comenta o analista.

De acordo com Meireles, neste primeiro trimestre o cenário macroeconômico ainda desfavorável manteve o freio no consumo. Apesar disso, a receita apresentou novamente crescimento, o que se explica pelo aumento dos preços, impactados pela flutuação cambial, e pelo aumento da participação de produtos nas faixas premium e intermediária no mercado.

As vendas de smartphones com preço entre R$1.200 e R$1.699 cresceram 320% nos três primeiros meses do ano, correspondendo a 18% de participação de mercado, e na faixa de equipamentos de R$1.700 e R$2.499, foram 247% maiores do que no mesmo período em 2018, chegando a 7% de participação. Nas demais faixas de preço, houve queda em comparação ao primeiro trimestre de 2018 – os smartphones de preço abaixo de R$499 tiveram 5% de share (variação de -11%), de R$500 a R$ 799, 20% (-28%), de R$800 a R$1199, 44% das vendas - ainda a maior fatia, mas 24% a menos do que há um ano. A faixa mais alta, de equipamentos acima de R$2500, respondeu por 7% das vendas, com queda de 25%.

Já as vendas de feature phones se mantiveram estáveis, com 701 mil unidades nos primeiros três meses do ano, o equivalente a 6,5% do mercado mobile em unidades – alta de 0,1% na comparação com o mesmo período de 2018. Porém, ao contrário do que ocorre no mercado de smartphones, a receita (R$76.726) foi menor do que no ano passado, devido à redução do ticket médio, que foi de R$109, o equivalente a -2,9%.

“A demanda por feature phones é pequena, e se concentra em áreas mais remotas ou rurais onde o uso é predominantemente do telefone em si, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Mas há também um nicho de consumidores minimalistas, que não buscam tecnologia, mas só o essencial, para uma vida mais simples”, explica Meireles. Segundo ele, a previsão é que as vendas de feature phones cresça 0,4% neste ano, chegando a 2,6 milhões de unidades.

Para os smartphones, a previsão é que sejam vendidas 43,38 milhões (43.382.000) de unidades até o final do ano, 2,4% menos do que em 2018, mas o valor movimentado deve crescer 12%, chegando a R$ 59,6 bilhões, graças a novos lançamentos e novas marcas entrando no mercado, além de uma expectativa de melhora do cenário macroeconômico no segundo semestre, com aprovação da reforma da Previdência. Esses números são melhores do que os projetados inicialmente pela IDC, que no final do ano passado estimava uma queda de 4,3% em unidades e um crescimento de 7% na receita.

“A demanda por dispositivos com maior memória interna, câmeras múltiplas, telas maiores e com borda infinita, e recursos inteligentes deve continuar impulsionando as vendas nas faixas média e premium, com um crescente uso dos smartphones para assistir filmes e acesso a conteúdo de streaming media, e como alternativa ao tablet”, comenta o analista.

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