NEGÓCIOS

Mudança na presidência da Fenainfo gera confusão no meio sindical patronal

Luiz Queiroz ... 13/10/2016 ... Convergência Digital

Para evitar conflito de interesses, Marcio Girão deixou a presidência da Fenainfo - Federação Nacional das Empresas de Informática. O executivo assumiu há duas semanas a diretoria de Inovação da Finep - Financiadora de Estudos e projetos, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Não ficaria bem um representante do empresariado no Governo Temer, misturando interesses privados com dinheiro público.

Só que a saída de Girão expôs uma confusão abafada há anos no meio sindical patronal: o setor de informática é uma colcha de retalhos, com sindicatos ligados ao Comércio, a Indústria e a Serviços, que esvazia a representatividade da entidade maior do setor: a própria Fenainfo. 

Com a criação da Federação, em 1990, esperava-se que todos os sindicatos de empresas de informática migrassem para ela, mas isso não ocorreu. Alguns sindicatos decidiram permenecer sob a esfera de controle do Comércio e outros ligados à Indústria, como é o caso de Brasília. Na capital federal, inclusive, a situação é bastante peculiar. Existem dois sindicatos patronais o Sinfor (Indústria) e o SINDESEI (Comércio). As duas convivem bem com um mercado que é basicamente formado por empresas prestadoras de serviços. Há rumores de que o SINDESEI irá passar para a Fenainfo. Por enquanto, isso não passa de boato.

Cerca de 15 Estados dão peso à Federação como representante das empresas do setor de serviços (Rio, São Paulo, Pernambuco, Goiás, etc). Mesmo assim, entre os 15 há quem já não faça parte ou tenha presença ativa junto a Fenainfo.

O setor sempre ficou dividido, com sindicatos defendendo que as empresas de informática são prestadoras de serviços e do outro lado, as que comercializam software acabado, como no caso das multinacionais que vendem suas soluções no Brasil, defendendo sua participação no setor do Comércio, pelos laços de amizade ou espaço de poder na política sindical, que nutrem há anos no mercado de Informática.

Para assumir agora a presidência da Fenainfo foi escolhido o ex-presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Rio Grande do Sul (Seprorgs), Edgar Serrano. Porém o Seprorgs sequer está filiado à Federação. Participa na condição de "associado". E não está porque naquele Estado o Seprorgs permanece filiado à Fecomércio - Federação Nacional do Comércio. Seu Estatuto, inclusive, assegura essa filiação. 

"Com isso, o Seprorgs garante um acento de destaque na entidade que defende os interesses da classe em âmbito nacional, aumentando sua participação e tendo mais influência em questões federais referentes ao setor", diz uma nota oficial anunciando a nomeação de Edgar Serrano para a Fenainfo.

Afinal de contas, pode um sindicato ligado ao setor do Comércio estar comandando uma Federação criada eminentemente para defender empresas prestadoras do setor de Serviços? Não, não pode.

Tanto é assim, que hoje mesmo saiu na imprensa a convocação de uma "Assembléia Extraordinária" do Seprorgs, com a pauta do sindicato migrar através da filiação junto à Fenainfo. Mesmo assim, a presença de Edgar é questionável, pois ele não poderia nem mesmo ser vice-presidente da entidade, para agora estar assumindo o cargo deixado por Girão, como representante de um sindicato que não faz parte da Fenainfo. De qualquer forma, foi dado 40 dias de prazo para Edgar solucionar a migração do sindicato gaúcho para a federação. Prazo exíguo demais, se não passarem por cima dos trâmites legais, que prevê a homologação final pelo Ministério do Trabalho. 

Mas a situação de Edgar é típica das trapalhadas que a Fenainfo se meteu na gestão do presidente Márcio Girão. Até bem pouco tempo a federação estava inclinada a deixar a Confederação Nacional de Serviços (CNS), para se juntar com as empresas de telefonia, que também visam a criação de uma Confederação Nacional. Há pelo menos uns quatro anos que a Fenainfo não participa da CNS, mas até hoje não se desfiliou oficialmente desta Confederação. Como não foi criada a Confederação das Empresas de Telefonia, a Fenainfo está no limbo da política sindical.

Porém, espera-se a oficialização  da Confederação das Teles para o próximo Telebrasil, encontro anual que reúne as empresas de telefonia em Brasília. Este encontro está marcado para novembro, até lá saberemos se a Fenainfo fica na CNS ou migra para a nova entidade.

Diante de tanta confusão, o cenário sindical patronal não poderia ser menos que caótico: A Fenainfo, uma entidade que defende os interesses de empresas prestadoras de serviços de informática, tem agora um presidente que, por hora é representante de um sindicato de empresas que está ligado ao Comércio e sequer está filiado à federação. Para completar, extraoficialmente pretende se unir às empresas de Telecomunicações numa Confederção que será comandada pelas teles. Dá para entender?

Serrano informa em sua nota oficial, que o objetivo da sua gestão na presidência da Fenainfo "será tratar de temas que fundamentais para o desenvolvimento do setor, como a desoneração da folha salarial, a terceirização e a criação de um Marco Regulatório para o Software".

“Nossa bandeira é unificar as ações das 15 entidades patronais e ter uma voz mais efetiva junto ao Congresso Nacional sobre as questões que entravam o desenvolvimento da TI em todo país. Vamos discutir pautas que influenciam na competividade do setor, como a desoneração da folha salarial, onde os gigantes do mercado contam com uma tributação muito inferior, ou nula, em relação as pequenas e médias empresas, o que impacta diretamente nas suas receitas, dificultando seu crescimento ”, complementa.

As intenções podem ser as melhores possíveis, mas Serrado por enquanto é apenas mais um vice que assumiu uma presidência, correndo o risco de  perder o cargo caso não cumpra o prazo de 40 dias para regularizar a situação sindical do Seprorgs.


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