OPINIÃO

Dez crises da 'Geração Y' nas corporações

Mariana Lemos*
15/01/2015 ... Convergência Digital

É fato que existe um movimento da juventude de hoje em prol da busca por liberdade, incontáveis experiências e momentos felizes. Os jovens estão, de maneira geral, insatisfeitos com seus trabalhos, cargas horárias e rotinas exaustivas (com exceções, como sempre).

É fato também que falar sobre a tal geração Y está na moda. Parece até uma desculpa para justificar o comportamento incompreensível de alguns jovens. Sociólogos definem a geração Y como "a geração da internet", que nasceu entre os anos 80 e 90. E a mídia se aproveita tanto deste termo, que ele acaba perdendo seu sentido. No final, geração Y é a geração dos jovens de hoje, oras. Dá na mesma.

Esses dias um amigo me disse que se ganhasse metade do salário e pudesse trabalhar metade do tempo usando o restante do período para seu lazer, ele seria muito mais produtivo e feliz. Sabendo de sua competência, acredito 100% nele. Outra amiga, que tem uma carreira extremamente promissora em uma gigante do setor de tecnologia, me disse: "quero largar tudo e abrir um food truck". Afora outros casos, como o da amiga que largou a vida de empresa e foi para a Índia fazer um documentário, o da outra amiga que saiu de outra empresa para abrir seu negócio de ballet fitness, do namorado que largou uma companhia de TI e Telecom para criar seu site e trabalhar de casa, o da amiga que quer ir embora de São Paulo até os 30 e o da outra, que acabou de viajar o mundo e já quer ir outra vez. E por aí vai... Mesmo!

Quando penso nas pessoas que conheço, identifico claramente três perfis: os que já largaram tudo para se dedicar ao que gostam (ou nem sequer se arriscaram a ter empregos tradicionais), os que planejam “abandonar” a empresa e os que querem fazer carreira no mundo corporativo, mas possuem projetos paralelos. Filtrei das conversas com alguns deles 10 motivos que fazem a geração Y entrar em parafuso no mundo corporativo. São eles:

1 Cargas horárias exaustivas e não flexíveis: quem trabalha por mais tempo, trabalha mesmo melhor? Perguntei para amigos o que mais lhes irrita no mundo corporativo e TODOS responderam: as cargas horárias. Uma música dos Beatles fala a seguinte frase: keeping an eye on the world going by my window (observando o mundo passar pela minha janela)... Acho que é assim que alguns se sentem quando passam horas excessivas no escritório. Certamente é possível, para muitos, fazer o mesmo trabalho em menos tempo. Ou ainda em horários diferentes do proposto, ou trabalhar alguns dias de casa e economizar o tempo do transporte. Vivemos na era do ultrabook, do smartphone, das plataformas colaborativas de trabalho. Pergunto-me quantos prodígios o modelo não-flexível de horário ainda expulsará do mundo corporativo.

2 Machismo extremo: uma conhecida destacou o machismo explícito da série Mad Men, que retrata o mercado publicitário dos anos 60. Nesta série, mulheres são vistas nas empresas como objeto sexual, ganham menos, possuem cargos inferiores e têm suas ideias desconsideradas. De 1964 para 2014 passaram-se 50 anos e ainda lidamos com empresas e profissionais (homens e mulheres) extremamente machistas e sexistas. Certamente essas pessoas contribuem para o atraso de nossa evolução e para a construção de ambientes hostis no mundo corporativo. Será que um homem que precisa rebaixar uma mulher no ambiente de trabalho está seguro o suficiente para assumir sua posição?

3 Politicagem: em algumas empresas as coisas acontecem porque fulano de tal é amigo de não sei quem. Eles sempre almoçam juntos, falam sobre amenidades, dão grandes risadas, mas na verdade não se conhecem (e nem ao menos se gostam). Eles fazem esta politicagem toda para ganhar benefícios nos negócios. Os jovens de hoje, no geral, gostam de relações saudáveis, transparentes e que não precisam de politicagem para transformar ideias em resultados. Podemos encontrar pessoas com ideais comuns no mercado, isso é muito legal. Trocar informações, dar apoio, ótimo! Mas, forçar relações para obter benefícios é desnecessário e vazio.

4 Falta de colaboração: "só vou agilizar isso para você porque você é dos meus". Típica frase que ouvimos nas empresas. Quando não há afinidade, os processos internos podem demorar ainda mais que o normal. É sério que as pessoas de uma mesma empresa estão fortemente competindo entre si, se prejudicando, e não trabalhando por objetivos comuns? Há ainda gestores que criticam o tempo todo a equipe alheia e incentivam a rixa entre os times da própria empresa. Os resultados são um fluxo demorado, relações conflituosas e estresse.

5 Falta de confiança e Mentira: muitos jovens se queixam por serem tratados como novos ou inexperientes demais para a missão que lhes foi concebida. Ora, se você é um gestor e vai conferir a alguém uma atividade, apoie e confie. Você pode se surpreender positivamente com os resultados da geração "quero abraçar o mundo".

Sabe aquelas "mentirinhas do bem"? Então, por que não contar as "verdades do bem"? As mentiras são uma falsa esperança de consertar uma situação pelo caminho mais fácil. No começo, pode até dar certo, mas as pessoas são viciadas em mentir, até quando não precisam.

6 Burocratização excessiva: relatórios sobre relatórios (que ninguém lê), reuniões intermináveis, processos longos e desnecessários, falta de acesso a determinados diretores. Não vale a pena repensar algumas atividades que só causam estresse e tiram tempo dos funcionários?

7 A Guerra silenciosa dos egos: as pessoas entram em embates invisíveis (ou visíveis) para ganhar espaço e visibilidade na empresa. No final, muitos só querem alimentar seu próprio ego. Quem manda mais? Quem opina mais? Quem tem mais responsabilidade? Quem pode ou não aprovar um material? Muitas vezes se esquecem do ponto crucial para uma tarefa bem feita: quem faz melhor. Independentemente de quem manda, a pessoa que faz melhor precisa estar envolvida num determinado projeto e, para trabalhar com ela, os outros precisam deixam o ego de lado.

8 Falta de compromisso com responsabilidade social: algumas grandes empresas pecam, e muito, por não investirem recursos em ações que, de alguma forma, tragam benefícios para a sociedade. Há casos piores, em que a empresa fala uma coisa na imprensa e faz outra... Quando veem isso, jovens perdem a confiança na empresa. E aí qualquer coisa que venha da boca do mesmo diretor que deu o tal depoimento na mídia pode soar um tanto quanto falso.

9 Falta de reconhecimento e feedback: não precisa ser por meio de um relatório, nem em uma reunião formal, mas os jovens – e os nem tão jovens - precisam saber se estão no sentido certo ou não. Quando houver uma atitude correta ou um resultado positivo, diga. Quando houver uma atitude incorreta ou um resultado negativo, diga também. Ouvi o caso de uma pessoa que apresentou um projeto para a diretoria e nunca soube se havia ido mal ou não, até ouvir no corredor: "fiquei sabendo que seu projeto foi muito bem avaliado pelos diretores, hein!". E ela disse "jura? Que legal! Não estou sabendo de nada!". Extremamente chato.

10 Falta de autonomia: os jovens dessa geração (acho que os das outras também) adoram participar de projetos com começo, meio e fim. Eles precisam de autonomia para, pelo menos, se sentirem engajados e entenderem seu papel na atividade. Alguns gestores são controladores demais e acabam frustrando as expectativas de sua equipe.

Penso que em todas as gerações há pessoas que desistem do mundo corporativo para encarar outras rotinas que lhes dão mais tempo, mas nunca antes soube de tanta gente, seja da geração X ou Y, que abandonou ou quer abandonar um emprego para ter tempo de abraçar o mundo..

*Mariana Lemos é Relações Públicas, Estrategista de Comunicação Corporativa do grupo Ação Informática.



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