15/01/2021 às 09:25
Telecom


Teles querem deixar migração das parabólicas para depois do leilão 5G
Luís Osvaldo Grossmann

As operadoras móveis circulam por Brasília com uma nova investida sobre as obrigações do leilão de 5G relacionadas ao tratamento das interferências sobre as antenas parabólicas. Ao retomarem a defesa de que o edital obrigue apenas a instalação de filtros, sugerem que a migração do sistema TVRO seja feito no futuro.

Em conversas com Anatel, Ministério das Comunicações e mesmo com as emissoras de TV, as teles argumentam que a migração deve ficar para um outro edital da Anatel, quem sabe o resto da Banda C. Do Poder Público, teriam ouvido que pode ser uma alternativa. Das TVs, "cordiais" negativas. Falta levar a ideia ao Ministério da Economia. 

Para as teles, além de reduzir o tamanho da obrigação associada a evitar interferências dos serviços móveis (em 3,3 a 3,7 GHz) sobre a recepção das parabólicas (3,8 a 4,2 GHz), exigir somente a solução de mitigação no edital poderia permitir uma implantação mais rápida do 5G no país. 

A conta é de que custa R$ 388 milhões para instalar filtros nas parabólicas daqueles entre os inscritos no Cadastro Único de programas sociais que vierem a reclamar de interferência na recepção dos sinais de televisão. O valor descarta o custeio da digitalização dos 18 canais via satélite ainda analógicos, até porque as teles acreditam que não há previsão regulamentar nesse sentido. 

Com a digitalização, o custo da mitigação sobe para cerca de R$ 1,1 bilhão. Já a migração, ou seja, a troca dos equipamentos para que os sinais via satélite sejam transmitidos em faixas lá depois de 10 GHz, longe dos serviços móveis, é estimada em R$ 1,6 bilhão. 

A ideia, então, é que sejam exigidos apenas os filtros, de forma a permitir que o 5G comece rapidamente, ao menos nos grandes centros. A migração ficaria para depois, a ser prevista como obrigação em um futuro edital de radiofrequências, de preferência quando for destinado ao serviço móvel o naco restante de 3,8 a 4,2 GHz.

Isso não aconteceria antes de cinco anos, ou mais, para depois do retorno com o investimento no 5G. Segundo as teles, a passagem do tempo vai tornando a migração mais barata, com uma projeção de que a cada ano o número de residências com parabólicas encolhe em cerca de 5%. Em três anos a redução já seria superior a todo o custo estimado da mitigação. 

Mas quem acompanha o assunto de perto nas emissoras de TV diz que a proposta só reduz o custo para as operadoras, mas encarece para a maior parte dos brasileiros que usa antenas parabólicas. Além disso, desconsidera que no parque instalado de antenas predominam equipamentos de baixo custo – que podem acabar exigindo investimentos bem maiores aos projetados na conta dos filtros.

Partindo da estimativa de que existem mais de 20 milhões de residências com parabólicas no país, e que receberiam filtros gratuitos cerca de 6,9 milhões de famílias inscritas no CadÚnico, a radiodifusão aponta que o custo total da solução é na verdade maior para os outros 13 milhões de lares, pois terão que pagar duas vezes por novos equipamentos. O que fica menor é o desembolso das vencedoras do leilão do 5G. 


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