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FCC: Brasil será exemplo para o mundo com a liberação de 6 GHz para Wi-Fi 6E

Por Roberta Prescott* - 02/03/2021

Em abril de 2020, a agência reguladora de comunicações dos Estados Unidos, a Federal Communications Commission (FCC), tornou 1.200 megahertz de espectro na faixa de 6 GHz (5.925–7.125 MHz) aptos para uso não licenciado, abrindo caminho para o Wi-Fi 6. Durante o evento online Wi-Fi 6E Brasil, organizado pelo Wi-Fi Now, e realizado nesta terça-feira, 2/3, Umair Javed, conselheiro-chefe da presidência da FCC, destacou que as bandas não licenciadas têm sido uma fonte de inovação ao democratizarem o acesso à internet. "Elas ajudam as operadoras a administrarem suas redes e promovem todos os tipos de atividades econômicas, conforme observou a chairwoman da FCC, Jessica Rosenworcel, no ano passado. Essas bandas são sandbox perfeita para experimentação, porque o acesso não requer contrato ou permissão."

Javed parabenizou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) pela decisão unânime de colocar a faixa integral de 6 GHz para uso não licenciado. "Ao fazer isso, o Brasil se tornou o primeiro país a permitir o uso de energia muito baixa em toda a banda, o que é muito emocionante. Tenho visto estimativas de que essa decisão pode agregar até US$ 163 bilhões à economia brasileira nos próximos dez anos", afirmou, apontando que isso também significa que, agora, os Estados Unidos, Brasil e Chile, junto com a Coreia do Sul, estão liderando o mundo ao colocar 6 gigahertz disponíveis para Wi-Fi.

"A realidade é que precisamos de mais espectro para Wi-Fi. No mínimo, a pandemia de coronavírus colocou o Wi-Fi no centro de quase todos os aspectos de nossas vidas diárias, desde como trabalhamos, como aprendemos, como vemos um médico, como nos conectamos com a família e amigos. E fibra, cabo, celular e outras tecnologias, todas se movem para velocidades maiores de gigabit. O roteador Wi-Fi se tornou o gargalo para obter velocidades mais rápidas dentro de casa", disse, fazendo a analogia de como passar de uma superestrada para uma estrada de cascalho.

O executivo da FCC destacou que cerca de 70% do tráfego de 5G pode ser descarregado para o Wi-Fi e que muitos dos casos de uso irão construir a demanda para que as operadoras implantem redes 5G, como realidades aumentada e virtuais ou Internet das Coisas. "Eles também vão depender de faixas não licenciadas para alguma parte de sua conectividade. Então, tudo isso significa que, nos Estados Unidos, descobrimos que qualquer coisa que fosse feita, os 500 megahertz completos para o Wi-Fi simplesmente não seriam suficientes."

Inclusão digital e mais conectividade

Eliminar a exclusão digital passa também pela combinação certa de espectro licenciado e não licenciado e requer, segundo Javed, um equilíbrio entre ambos, de modo que as empresas planejem seus investimentos. "Jessica Rosenworcel, chairwoman da FCC, há muito defende a ideia de que precisamos fazer as duas coisas, licenciado e não licenciado. E, se pudermos fazer isso, acho que podemos construir um pipeline de espectro que seja robusto. Isso é confiável e é uma força real em nosso futuro econômico."

Segundo ainda Umair Javed, a FCC está explorando novos paradigmas de compartilhamento capazes de viabilizar uma gama completa de atividades em uma única banda de espectro. "Tudo gerenciado dinamicamente para evitar interferência, e isso é o que fizemos na banda de 3,5 GHz, que está disponível para uma mistura de usos licenciados e não licenciados pelo governo, gerenciada por bancos de dados de acesso de espectro. Até agora, acho seguro dizer que foi uma história de sucesso incrível. Estamos ansiosos para explorar oportunidades de exportar este modelo para outras bandas e outras partes do mundo também."

Ele afirmou ainda que os Estados Unidos avaliam se devem permitir uma classe adicional de dispositivos não licenciados de baixíssima potência para operar em toda a banda de 6 GHz. "Isso é algo em que o Brasil já avançou, e nós estamos olhando para os Estados Unidos também. Perguntamos se deveríamos modificar nossas regras para permitir que os dispositivos internos de Wi-Fi de baixa potência operem com uma potência um pouco maior do que a que foi aprovada para operar no ano passado", explicou.

"Recebemos comentários sobre essas questões, que geraram muitos outros comentários. Estamos vendo uma ampla gama de opiniões, muito apoio às propostas e algumas oposições também. Atualmente estamos avaliando esse registro e pensando nas próximas etapas."

Nos Estados Unidos, parte do espectro não licenciado já foi colocado em uso por provedores de serviços de internet sem fio que, segundo Javed, estão "realmente usando o espectro para melhorar a conectividade em áreas rurais e carentes durante a pandemia". Em 2008, a FCC sugeriu que, em vez de permitir que as partes não utilizadas do espectro da televisão tradicional ficassem ociosas, elas fossem direcionadas para uso não licenciado.

"E, 12 anos depois, ainda estamos trabalhando nisso. Portanto, embora a inovação do espaço em branco (white spaces) tenha começado nos Estados Unidos e esteja, de certa forma, progredindo mais rapidamente no exterior, há mais de uma dúzia de países oferecendo a tecnologia neste momento. Portanto, a boa notícia é que a agência atualizou algumas de suas regras para fornecer nova flexibilidade para espaços em branco de TV nos Estados Unidos, mas ainda temos muitas petições não resolvidas e ainda temos dúvidas sobre o serviço”, completou o conselheiro da FCC.


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