26/01/2021 às 12:30
Telecom


Venda de celulares cresce 10%, puxada por aparelhos mais caros
Convergência Digital

Segundo levantamento da IDC, os meses de julho, agosto e setembro de 2020 registraram aumento de 10% nas vendas de aparelhos celulares no Brasil, frente ao mesmo período de 2019. E o destaque ficou para os modelos mais caros. No terceiro trimestre do ano passado foram vendidos 13,4 milhões de smartphones, alta de 14%. 2019.

Já entre os modelos mais baratos, chamados feature phones, os 745,2 mil aparelhos comercializados repreentaram uma queda de 26%, no mesmo tipo de comparação. Segundo a IDC, o número engloba as vendas no mercado cinza, que comercializou 1,2 milhão de smartphones e 35,4 mil feature phones, queda de 4% e 76% em relação ao mesmo período de 2019. A receita foi 48% maior e registrou R$ 20,5 bilhões.

Segundo Renato Meireles, analista de pesquisa e consultoria da IDC Brasil, o mercado se recuperou melhor do que o esperado no terceiro trimestre do ano passado. O auxílio emergencial ajudou a injetar dinheiro na economia. Além disso, foi um período de compras que deveriam ter acontecido no segundo trimestre. "A demanda que estava reprimida nos meses de abril, maio e junho, por conta do fechamento do comércio, foi retomada de julho a setembro", explica.

Houve movimento no e-commerce, mas, segundo a análise, o brasileiro ainda tem a cultura de ir à loja física para ver o produto antes de comprar. A pandemia também fortaleceu o uso da tecnologia e aumentou a necessidade e o uso de smartphones. "Os brasileiros usaram mais aplicativos e serviços de streaming, por exemplo, e percebemos a busca por smartphones com performance melhor. As videoconferências realizadas para o trabalho também foram motivo para buscar aparelhos mais potentes", avalia.

De acordo com o estudo da IDC Brasil, a receita e o preço médio dos celulares também aumentaram no 3º trimestre de 2020, por dois fatores: a alta do dólar, 35% mais caro do que no mesmo período de 2019, e os lançamentos com especificações mais robustas. "O dólar passou de US$ 3,97 no terceiro trimestre de 2019 para US$ 5,38 no terceiro trimestre de 2020, e afetou todo o ecossistema de tecnologia. Por isso, o aumento não foi tão agressivo em volume de celulares, mas em receita". Os smartphones custaram em média R$ 1,5 mil e os feature phones, R$ 145, alta de 30% e 32% respectivamente.

O analista da IDC Brasil diz que a projeção da IDC para este período era menos expressiva. "A pandemia foi desafiadora, mas trouxe movimentos diferentes para o mercado, como o auxílio emergencial, novos produtos, além de aumentar a percepção da necessidade e usabilidade da tecnologia. No entanto, o período também foi marcado pela falta de componentes", explica.

Os dados do quarto trimestre de 2020 ainda não foram consolidados e o dólar continuou sendo um desafio, mas a expectativa da IDC Brasil é que o mercado tenha seguido se recuperando com a reabertura das lojas e das vendas na Black Friday e Natal. "A indústria teve mais equilíbrio, principalmente em relação ao abastecimento dos canais, mas 2021 deve começar com o varejo menos estocado do que os anos anteriores", finaliza Renato.


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