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Por unanimidade, Anatel sugere destinar toda faixa de 6 GHz para o WiFi

Luís Osvaldo Grossmann ... 10/12/2020 ... Convergência Digital

A Anatel indicou nesta quinta, 10/12, que pretende destinar toda a faixa de 6 GHz – aí entendido o naco de 1200 MHz entre de 5,925 GHz e 7,125 GHz – para uso não licenciado. Leia-se: para aplicações de WiFi, notadamente na nova geração dessa tecnologia, batizada de WiFi 6E, mais eficiente e capaz de atingir velocidades de transmissão próximas a 10 Gbps. 

É uma proposta que será submetida à consulta pública, por 45 dias. Mas passou de forma unânime no colegiado anatelino, apesar de toda a pressão em contrário exercida pelas operadoras celular e pelos fabricantes de equipamentos de rede móveis. 

A destinação de todo esse naco para o WiFi atende uma lógica econômica – o uso não licenciado deve gerar ganhos superiores a R$ 900 bilhões ao longo da próxima década só no Brasil – mas especialmente sociais. Como indicou o relator da matéria no Conselho Diretor da agência, Emmanoel Campelo, o WiFi é a tecnologia preferencial de conexão no país, mesmo quando o acesso é feito pelo celular 

“Além de cobertura doméstica, conectando dispositivos diversos, as redes locais sem fio se destacam para escoamento de tráfego, conexão de clientes em áreas sem cobertura móvel e para o provimento de soluções tecnologias como smart home e internet das coisas”, apontou, para completar em seguida que “mais da metade do tráfego móvel trafega por offload, em wifi, o que já demonstra a relevância das redes locais hoje e que terão papel ainda mais significativo em futuro breve”. 

Na verdade, é bem mais que metade. O levantamento que a OpenSignal realiza a cada seis meses em diversos países mostra que as conexões fixas sem fio são utilizadas em 75% do tempo que um usuário está conectado à internet no Brasil. E que durante a pandemia de Covid-19 esse uso se tornou ainda mais intenso, crescendo entre 10% e 25%. 

Isso não é positivo apenas para os internautas, em conexões mais estáveis e em muitos casos mais rápidas, mas para as próprias operadoras móveis. Pois, como ressaltado pelo relator na Anatel, o WiFi é costumeiramente usado para descarga do tráfego móvel, e isso tende a crescer ainda mais. A Cisco projeta um crescimento anual do tráfego móvel via WiFi na casa dos 53%, sendo que até 2022, somente 22% do tráfego internet será acesso móvel “puro”. 

Nada disso impediu um forte lobby de operadoras e fabricantes para que, no lugar de destinar logo os 1200 MHz para sistemas não licenciados, a Anatel permitisse o uso no WiFi de apenas 500 MHz, deixando o resto guardado para, quem sabe um dia, ser usado em aplicações licenciadas – ou seja, para a telefonia móvel. 

Nesse movimento, houve espaço até a afirmações questionáveis, para se evitar adjetivos ainda menos elogiosos. Em carta à Anatel, foi usado o argumento de que haverá discussão global na União Internacional das Telecomunicações sobre uma possível identificação da faixa de 6 GHz para a telefonia móvel – mas que deixou de mencionar que esse debate não inclui a destinação dessa fatia do espectro nas Américas, apenas Europa e Ásia. 

Como também lembrou Campelo em seu voto, ao rejeitar a reserva de espectro para o futuro, “tal paralisação seria injustificada por impor aguardar até 2027 [quando é possível que venha a se ter uma discussão na UIT que afete a região do Brasil] sem qualquer sinalização internacional afeta as Américas”. 

No mais, concluiu o relator, vale lembrar que o uso não licenciado não deixa a telefonia móvel de fora, mas pelo contrário. “A adoção do WiFI 6E não afasta possibilidade uso da faixa futuramente para provimento de 5G. Isto porque o 3GPP já expediu padronização para operação do 5G por meio de uso de faixas não licenciadas, o chamado 5G NRU, de modo que a proposição não restringe o uso da faixa, mas o amplia.”


Wi-Fi 6E Brasil 2021 - Cobertura especial - Editora ConvergenciaDigital

Uso da faixa de 6 GHz avança no mundo. 2021 terá dispositivos e celulares Wi-Fi 6E

No Brasil, conselho diretor da  Anatel decide se vai destinar os 1200 MHz da faixa ao uso não licenciado, em movimento semelhante ao que já se deu nos Estados Unidos. Movimento semelhante acontece na Europa e no Oriente Médio.

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